EDITORIAL
Enquanto um Brasil burocrático retarda o avanço do desenvolvimento, há um Brasil paralelo que dá certo e progride. Este é o Brasil dos que produzem e pesquisam, aumentando índices de produtividade e de qualidade.
Ontem, a editoria de agronegócios deste jornal mostrou que, enquanto vão ocorrendo os escândalos na esfera governamental, com negociatas e barganhas de toda ordem, numa sala do Instituto Agronômico do Paraná 150 técnicos dos três Estados do Sul e de Goiás apresentavam diagnósticos e apontavam caminhos viáveis para os produtores do campo e para quem consome os seus produtos.
Perfilam, esses técnicos, entre os contingentes que fazem parte não dos problemas, mas das soluções. Eles estavam reunidos num encontro sobre produção de feijão, alimento básico do brasileiro e produto de forte peso econômico. Verdade que sujeito ao universo da especulação, porque não conta com uma política organizada de abastecimento e mercado, e nesse círculo rodam os preços, sempre baixos para o produtor e proporcionando largas vantagens para o especulador.
Nessa reunião, os técnicos anunciaram uma nova variedade de feijão - o ''Iapar 14'' - resistente a doenças, altamente produtivo, de boa qualidade alimentar e praticamente dispensando o uso de agrotóxicos.
E isso tem acontecido não apenas com a variedade de feijão que agora se anuncia, mas com tantas outras. Um trabalho quase anônimo, ao menos na relação com o grande público, e resultante de centenas de ''dias de campo'', de visitas a propriedades, de exaustivas análises nos laboratórios; mas, sobretudo, fruto de muita dedicação e muito idealismo.
Com isso o País vai, sempre e mais, abandonando a agricultura rudimentar do passado e ingressando mais fundo na era da tecnologia. Certamente, na esteira desses avanços haverão de evoluir, mais cedo ou mais tarde, também as políticas de comercialização, de forma a afastar o intermediarismo especulativo e estabelecer um ponto de equilíbrio entre os segmentos da produção e da venda.
Esse exército de pesquisadores vai abrindo caminhos novos e fazendo um país melhor, só dependendo da boa vontade política para que o resultado das pesquisas seja colocado em prática, já que seus estudos estão prontos e disponíveis. Este é o Brasil que ultrapassa as barreiras da burocracia retardatária. É o Brasil que vem dando certo.





