A aprovação da venda da Copel é uma derrota para o Paraná e, na esteira, uma derrota também para o governador Jaime Lerner e para os deputados que se deixaram seduzir pelo irresistível poder emanado do Palácio Iguaçu. O chefe do governo deve sentir-se um vencedor, neste momento, mas sua desastrada decisão de desfazer-se desse patrimônio público dos paranaenses foi uma perda e não um ganho.
Os parlamentares da base governamental, de sua vez, cumpriram sua parte no acerto com o governo, mas ficam marcados pela população e é certo que serão lembrados no momento em que voltarão a buscar votos, porque a transação que autorizaram não foi um ato simples, que possa ser esquecido tão facilmente por esta e pelas gerações futuras. Eis que a triste decisão de ontem da Assembléia Legislativa contrariou a vontade da maioria esmagadora dos cidadãos.
Os deputados privacionistas pisotearam sobre a vontade popular, na mais acintosa afronta da história paranaense de que se tem notícia. Porque nunca o povo se envolveu tanto pela defesa de um patrimônio público que afinal lhe pertence como no presente episódio. O brado de 400 entidades, representativas dos mais diversos segmentos profissionais do Paraná, e a posição de 77% da população do Estado, contrários à venda da empresa, não foram suficientes para sensibilizar os 27 deputados que votaram pela ''liquidação'' da Copel e, muito menos, o governador.
Os Poderes Executivo e Legislativo, este pela maioria de seus membros, acabam de decretar a falência da representatividade popular. A democracia está de luto. Não pode, portanto, ser uma vitória esta que o governador proclama. É apenas um ''round'' ganho de adversários políticos do momento, pois terá ele de enfrentar, ao longo de seus dias, dentro ou fora do governo, o estigma de haver sido aquele que dilapidou o maior patrimônio que o Estado detinha a sua companhia de eletricidade empreendimento de governos anteriores e orgulho dos cidadãos paranaenses.
Jaime Lerner será sempre lembrado como o governador que vendeu a Copel, enfim que jogou fora o mais rico patrimônio empresarial público do Estado. Com a desastrada decisão tomada ontem sob o teto da Assembléia Legislativa e debaixo da ordem emanada do Palácio do Governo, os 27 deputados governistas, eleitos pelo povo mas subservientes a outro comando, fizeram o Paraná mais pobre. Este mesmo Paraná tão duramente tangido, nestes sete anos do atual governo, por atos arbitrários, negligência e insensatez, e cujo golpe fulminante foi desferido ontem, sob o olhar perplexo de 9 milhões de paranaenses contrariados. Este é um triste momento da história do Paraná.

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