EDITORIAL
Até a hora em que encerrávamos os trabalhos da Redação o clima era de dúvida e de grande expectativa no ambiente da sessão histórica da Assembléia Legislativa que decidia o destino da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Com as galerias lotadas de cidadãos contrários à venda da empresa, o ambiente era de tensão e nervosismo.
Quando este jornal estiver nas ruas, uma decisão certamente já terá sido tomada. Se o voto da maioria dos deputados foi pela entrega da Copel a mãos estranhas, o Paraná terá perdido, assim como terão perdido os parlamentares e o próprio governador Jaime Lerner, porque ele passará à história como o homem que jogou janela afora o mais rico patrimônio estatal paranaense. O Poder Legislativo terá contrariado a vontade popular e pisoteado sobre a população, que desde os primeiros momentos veio se manifestando contra a privatização de sua companhia de eletricidade.
Terá sido um duro golpe contra o sistema de representatividade popular, na Assembléia, e um desmoronamento do princípio democrático, ao menos no seio da comunidade oficial paranaense. Porque nunca o povo envolveu-se tanto na defesa de um patrimônio público - que afinal lhe pertence - como no presente episódio. A venda da Copel não pode, portanto, ser considerada uma vitória se contraria a vontade do povo. Terá sido apenas um ''round'' ganho pelo governador contra seus adversários políticos do momento, porque ele terá de enfrentar, ao longo de seus dias - dentro e fora do governo - o estigma do ato que cometeu.
Já a decisão de negar a venda consagrará o que deve ser, em qualquer circunstância, o grande vencedor: o povo. Se a venda não houver se concretizado, o tempo se encarregará de apagar da memória dos cidadãos este momento. Terá sido, ademais, uma demonstração de independência e de emancipação da Assembléia Legislativa, depois de quatro décadas de comando único e de subserviência, ainda muito presente no momento atual.
Uma decisão contrária à venda fará implantar-se o respeito dos cidadãos pelos seus deputados estaduais, eis que eles terão, também, respeitado a vontade do povo. Terá prevalecido o princípio da autêntica representatividade popular, abrindo-se um novo tempo na relação dos cidadãos com os seus representantes na casa legislativa. A triste notícia será se, ao amanhecer do dia, a sociedade paranaense tomar conhecimento de que nada disso ocorreu, e que foi apenas um sonho de triunfo da democracia.





