Agora é com a Assembléia


No universo da política, sempre recheado de interesses, proliferam as acusações e contra-acusações, e se há dinheiro envolvido os ânimos se acendem e, às vezes, entorpecem a razão. No presente momento, há R$ 8,5 bilhões de razões para o governo estadual desejar vender a Copel se não forem R$ 25 bilhões, como avalia um grupo de engenheiros e funcionários da empresa. Dinheiro que enche os olhos de qualquer governante e de todos quantos imaginem tirar algum proveito dessa fortuna.
Ontem, neste jornal, o senador oposicionista Roberto Requião acusou diretamente o ex-secretário da Fazenda do atual governo, Giovani Gionédis, de atuar a serviço de uma empresa de energia elétrica alemã (interessada na estatal paranaense) e de estar comprando deputados, para que votem a favor da privatização. O outrora poderoso secretário se defende, diz ser contra a venda e acusa Requião de retaliação política, eis que ambos são candidatos potenciais à sucessão de Jaime Lerner.
O que se questiona é que uma acusação tão pesada fique apenas no campo das palavras. Não há exigência de provas sobre quem diz e, de sua vez, o acusado não se mostra ofendido pelo que pode caracterizar denunciação caluniosa. O grave é que, se há um corruptor, como afirma o senador, terá que haver a contrapartida dos corrompidos. Mas também o corpo legislativo parece não se molestar com a acusação que também o atinge.
E ante o silêncio, a opinião pública fica perplexa e não sabe se a denúncia tem, mesmo, algum fundamento. Eis que uma parte não se preocupa em prová-la e as outras também não o exigem. E, diante de tal situação, vai se acentuando a descrença dos cidadãos sobre o que falam os homens públicos. Não bastasse a descrença popular, as próprias correntes político-partidárias encarregam-se de acusar-se mutuamente, tendo o povo como espectador.
É indiscutível que lobbies poderosos atuam, ante um negócio bilionário como a venda da Copel. O senador declarou que vai pedir ''uma investigação mais apurada''. É o que os paranaenses esperam. Mas que não tarde, porque não é muito o tempo que resta.
No momento já nem cabe discutir as desvantagens de o governo desfazer-se de sua companhia de eletricidade, porque a população já as conhece e por isso é contra a venda tão desejada pelo governo. O que importa agora é ''cercar'' a Assembléia Legislativa e ficar vigilante sobre os 30 deputados favoráveis à ''liquidação'' desse rico patrimônio dos paranaenses. É na Assembléia onde tudo vai se decidir e é ali onde devem centrar-se as atenções, doravante.

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