EDITORIAL
São muito grandes as arbitrariedades explícitas e implícitas praticadas pelos bancos contra os clientes, e certamente não será fácil eliminá-las tão rápido, mas o cerco vai se fechando e os usuários também estão aprendendo a reclamar, sobretudo depois que foi instituída no Brasil a Coordenadoria de Defesa do Consumidor, mais conhecida como Procon. Agora um mecanismo específico é criado, o Código de Defesa do Consumidor Bancário, destinado a frear o mau atendimento dos bancos e as imposições que afetam a clientela.
Notícia publicada ontem neste jornal mostra que, no caso do Paraná, as reclamações dos usuários contra os bancos triplicaram no primeiro semestre deste ano, subindo de 1,2 mil para 2,8 mil, demonstrando como esses estabelecimentos importam-se pouco com seus clientes, no que respeita ao atendimento. Primeiro, porque não seguem as normas, segundo porque o Banco Central não os fiscaliza quanto a essa questão. A esperança é que, agora, haja mais rigor, com a criação do código que trata especificamente da proteção ao consumidor bancário.
Quando nos referimos a arbitrariedades explícitas, queremos dizer as longas filas de espera, diante dos caixas, e a inexistência de bancos para que os clientes, ao menos, aguardem sentados. Algumas agências maiores chegaram a adotá-los, mediante o sistema de senhas, e depois os abandonaram e voltaram ao método tradicional de penalizar os clientes, nas longas e demoradas filas em pé.
É certo que os bancos que auferem lucros astronômicos, como nenhuma outra atividade no Brasil, a não ser o narcotráfico e a corrupção têm dispensado pessoal, e isso também agravou a qualidade do atendimento aos clientes. Observa-se que, nas grandes agências, mesmo em dias e horários de pico muitos dos compartimentos dos caixas estão sem atendentes. O atendimento piorou com o novo horário imposto por conta da economia de energia elétrica. Uma medida até agora não compreendida, que só prejudica o cliente e não atende à causa do racionamento, eis que depois de fechadas as portas, as luzes dos bancos continuam acesas, pois o serviço interno continua.
Em Curitiba, anuncia-se que a Câmara de Vereadores quer estabelecer multa aos bancos da cidade que obrigarem o cliente a ficar mais de 20 minutos na fila. Esta sanção punidora é um instrumento que pode ser adotado em todos os municípios. E, também na Capital, o Sindicato dos Bancários informa que vai criar uma ouvidoria para receber reclamações dos clientes insatisfeitos e estimular as pessoas a que busquem os seus direitos.
Contudo, são as arbitrariedades implícitas as mais graves, porque significam dinheiro e estão embutidas na conta de cada cliente. São as denominadas taxas de serviços que vão surgindo nos extratos, mas que a maioria da clientela nem observa. Se aguardar nas cansativas filas é um transtorno, que fiquem atentos os clientes para o assalto contínuo e quase imperceptível em suas contas. Sem falar das criminosas taxas de juros, que no Brasil de há muito entraram na faixa da usura - ante as vistas grossas do governo - e da CPMF.
Se na vida moderna é difícil viver sem o uso dos bancos, pois muitos pagamentos e recebimentos têm de ser feitos por essa via, é certo que o cidadão deve aprender a reclamar e a usar os mecanismos de proteção a seu serviço, como o Código do Consumidor Bancário que agora entra em vigor, e que se não resolve tudo, é um começo. O certo é que, quanto mais o cidadão puder dispensar o uso de cheques, cartões, serviços e empréstimos bancários, tanto melhor.





