Não se sabe o que mais falta para que os deputados estaduais tenham convicção de que os paranaenses não desejam a venda da Copel. Perguntado por este jornal, o deputado Moysés Leônidas disse que o movimento do povo contra a privatização da empresa é democrático – como se eventualmente pudesse não ser – mas que isso não vai alterar a convicção dos parlamentares, na Assembléia Legislativa.
Muito estranha esta anunciada convicção dos parlamentares, de contrariar a vontade popular, sempre mais sábia e soberana que outro poder. Parece que impera algo além do entendimento popular nessa obstinação da maioria dos parlamentares para desfazer-se da companhia de eletricidade, e assim agradar ao governo, que precisa fazer caixa.
Se o povo já demonstrou, por mais de 70% das pessoas consultadas, em todo o Estado, que é contra a venda da empresa, então não se sabe que poder maior é esse que contraria a vontade popular e faz os deputados votarem contra o povo. Só há uma explicação: o poder de influência do governo é muito poderoso e prevalece sobre a decisão do povo.
Então, a suposta representatividade popular com assento em nossa Casa Legislativa é uma farsa e atende não à vontade dos cidadãos mas a do poder instalado no palácio do governo. Porque é de lá que emana toda a influência que está induzindo os parlamentares a desprezar o veredicto popular, já manifestado, e votar pela vontade do governo.
A democracia que se entende – ressalvado o grupo contrário à venda da empresa – é aquela em que os parlamentares consideram legítimo o movimento do povo e não o ato de votar contra essa decisão. Deixam, assim, os deputados de falar pela vontade popular, para atender apenas ao comando que emana do Palácio Iguaçu. E que deve ser muito poderoso.
O Fórum Popular Contra a Venda da Copel está fazendo vigília cívica à porta das residências dos parlamentares favoráveis à venda da estatal e dos que se declaram indecisos, visando pressionar os primeiros a ficarem do lado do povo e mudar de opinião, e aos outros votar pela manutenção da Copel como empresa pública.
Esse fórum reúne nada menos que 400 entidades contrárias à venda da empresa, e se isso não bastasse há a vontade popular já manifestada e também favorável à manutenção da Copel como estatal. Então, já não se sabe a quem (e a que) os parlamentares atendem.

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