Um clima de terror cerca a atividade dos postos de combustíveis, em Londrina, com episódios que fazem lembrar as ações das máfias e do banditismo organizado. Isto ocorre porque proprietários de postos que elevaram os preços dos combustíveis não permitem a livre concorrência e estão impedindo, através de intimidações e ameaças, que outros estabelecimentos vendam mais barato. Testemunhas têm receio de falar e se esquivam, como temor de atentados e outras formas de represália.
O proprietário de um desses postos que vendem mais barato teve, recentemente, a residência atingida por tiros de revólver, durante a madrugada – ele alega que foi em função da concorrência – e outro foi ameaçado de morte, sendo obrigado a elevar imediatamente os preços.
Agindo no estilo dos mafiosos, empresários radicais chegaram a invadir um posto e fecharam uma das bombas, ao tempo em que ameaçavam o gerente. Esse posto havia baixado o preço do álcool para R$ 0,99 e o da gasolina para R$ 1,70, enquanto a maioria dos estabelecimentos estava vendendo a R$ 1,07 e R$ 1,77, respectivamente. Conforme depoimento de testemunhas à imprensa, não demorou que comerciantes do setor, que haviam chegado ao local, começassem a convocar outros colegas, por intermédio de telefones celulares, e em poucos instantes o posto estava literalmente cercado. O Ministério Público já está apurando os fatos, mas o que ocorre é que vítimas e testemunhas estão temerosas de revides.
O fato causa perplexidade e demonstra como o comércio de combustíveis passa a abrigar verdadeiras quadrilhas, como nunca aconteceu antes. O primeiro delito grave, nessa área, foi a descoberta de adulteração da gasolina, caracterizando crime contra a economia popular e uma violentação sobre um bem material valioso, que é o veículo, pois o combustível deteriorado causa sérios danos ao motor. Agora, no seio dessa comunidade empresarial, irrompe a máfia dos preços, que impõe regras, faz ameaças e implanta o terror.
A adulteração da gasolina e essa imposição de preços altos, mediante intimidação, são crimes tipificados como falsificação, formação de cartel, constrangimento ilegal, porém mais que isso caracterizam o banditismo instalado.
Os grandes prejudicados acabam sendo os consumidores, que, em Londrina, são proprietários de 160 mil veículos que dependem de combustível. Esses fatos – a adulteração e o corporativismo impostor, seguidos de ameaças a quem não se enquadra na política dos preços elevados – estão exigindo a coragem das vítimas e das testemunhas e a pronta intervenção das autoridades.

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