EDITORIAL
Em tempos de globalização, o empresariado brasileiro deve estar preparado para as negociações internacionais, e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) adianta-se e começa a investir nessa tarefa. Quinta-feira, em Curitiba, a entidade pela palavra de seu vice-presidente, Oswaldo Dout mostrou a importância do envolvimento dos empresários nacionais nos negócios bilaterais com outros blocos econômicos.
Com efeito, neste País em que o governo pouco ou nada soma nas políticas de desenvolvimento antes o contrário, tem atrapalhado bastante os dirigentes de empresas devem preparar-se para a nova realidade do universo dos negócios. Que fizeram o mundo pequeno e unificado, ainda mais agora com a Internet, que, em minutos, coloca as vitrinas e prateleiras de produtos ao alcance de todos os consumidores, dentro do País e nos mais longínquos rincões do mundo.
São grandes as oportunidades de as empresas, inclusive as pequenas, explorarem mercados externos, mas será necessário que aprendam a chegar lá, pelas vias regulamentares. Deverá o empresário buscar todas as informações, conhecer as estratégias para melhor posicionar-se diante dos acordos internacionais de livre comércio, e negociar em bloco. O vice-presidente da CNI cita o Acordo de Livre Comércio das Américas (Alca) e prevê boas oportunidades para as empresas brasileiras alcançarem, através dele, mercados gigantes como os Estados Unidos, Canadá e México.
E enquanto a CNI dá essa orientação à classe empresarial, é criada em Maringá a Universidade Corporativa, voltada para o interesse específico de empresários e profissionais já estabelecidos. Trata-se de um modelo já implantado há quarenta anos nos Estados Unidos, por algum tempo esquecido mas que retornou com grande força na década de 90. Essas universidades assim como a de Maringá são abertas e exigem a presença do aluno-empresário.
O sistema é inverso ao das universidades tradicionais (e não compete com elas), pois estas proporcionam ensino teórico a quem ainda não tem conhecimento da atividade que irá exercer, e as universidades corporativas ensinam justamente a teoria aos que não a tiveram e só aprenderam na prática, com suas empresas. A fusão dos dois aprendizados torna o empresário apto e ágil para melhor desempenhar a sua atividade. O curso, em Maringá, vai começar em agosto e será ministrado por professores da Fundação Getúlio Vargas.
Não há dúvida de que esse novo aprendizado irá proporcionar aos empresários uma nova leitura do mercado nacional e internacional. Iniciativas como esta da Confederação Nacional da Indústria e da Universidade Corporativa proporcionarão saltos de qualidade ao empresariado nacional. Não foi de outra forma que isto ocorreu com os empresários norte-americanos, canadenses, europeus, japoneses ou seja, através desse conhecimento e o resultado é o avançado nível a que chegaram. Estes são caminhos de emancipação da comunidade empresarial brasileira, sem a ilusão de esperar por medidas governamentais e por milagres que cheguem sem esforço.





