Temores de fracasso mas também esperanças cercam a rodada de Bonn, na Alemanha, que reúne representantes de 180 países para a continuidade das conversações sobre a mudança climática no mundo. O encontro, que teve início na terça-feira e durará dez dias, começa efetivamente hoje, com a chegada dos ministros do Meio Ambiente desses países.
As discussões estarão centradas no propósito de redução da emissão de gases de efeito estufa e visam um consenso para a ratificação do Protocolo de Kyoto, que trata dessa questão e se foca especialmente no dióxido de carbono. A meta é reduzir essas emissões em 5,2%, para que elas retornem aos níveis de 1990.
A resistência é capitaneada por um forte adversário, os Estados Unidos, que é o maior emissor desses gases e já se pronunciou – pela palavra do presidente George W. Bush – contra a ratificação do Protocolo.
Ele é, particularmente, um interessado não apenas em salvaguardar o gigantesco sistema industrial norte-americano, como os negócios petrolíferos da própria família.
E pelos passos desse país ‘‘xerife do planeta’’ – como o definiu o ex-ministro de Ciência e Tecnologia da Venezuela, Ávalos Gutierrez – marcham agora também o Japão, o Canadá e a Austrália.
São muito grandes os interesses econômicos e políticos em jogo, e muito forte o peso da influência dos EUA. Para onde pendem os Estados Unidos, costumam pender as demais nações poderosas do mundo, porque há um entrelaçamento muito vigoroso de negócios e estratégias.
Mas os governos dessas potências não estão atendendo aos desejos dos cidadãos de seus próprios países – pelas pesquisas já tornadas públicas. Porta-voz de uma ONG indaga por quanto tempo esses governos – principalmente o dos EUA – vão brincar com as expectativas das pessoas.
É certo que poderosas nações industriais do mundo atropelam as leis e são capazes de persistir em sua política suicida de destruir a vida sobre o planeta se isso for preciso para derrubar os obstáculos que se antepõem aos seus objetivos.
Mas essa cruzada mundial haverá de continuar, e cada conferência como esta de Bonn – assim como foram as anteriores – resultará em avanços, ou autoridades de 180 países não estariam reunidas numa mesma mesa de negociações.
Analistas crêem na obtenção de bons resultados nesta presente reunião e que seja possível ratificar o Protocolo de Kyoto mesmo sem o voto dos Estados Unidos.
Será necessário continuar brigando – e outra não é a expressão. Se há uma disputa de interesses muito poderosos, de nações igualmente fortes, há uma defesa muito maior a fazer, que é a da segurança do planeta, e esta haverá de triunfar.

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