O governo do Paraná não resolve certos problemas porque não quer. Agora, ante a iminência de nova greve dos policiais militares, o Palácio Iguaçu conserva-se mudo, esperando que o movimento irrompa para só depois buscar a solução. Entre as reivindicações das esposas dos policiais – que encabeçam a campanha em defesa dos maridos – está a suspensão das punições aos policiais que participaram da última paralisação.
Este é um pleito que o governo pode atender, afastando circunstancialmente o rigor de medidas punitivas, até porque os grevistas não cometeram falta grave contra a sociedade. Importa pouco, ante um mal maior que é a iminência de outra greve, se esses servidores infringiram o regulamento de suas corporações. Por erros dessa natureza o governo expõe a população ao risco de ficar temporariamente sem policiamento, com todos os prejuízos que advirão disso. Comete, assim, um erro maior, prejudicando toda a população.
Por trás dessa intransigência em suspender as punições – que atingem 500 policiais – não está apenas o fato de policiais militares haverem feito greve, mas o de haverem dado as costas aos chefes, em reunião da corporação, em Londrina. Isto certamente os melindrou. Não se deve ignorar a existência da hierarquia e do regulamento disciplinar, mas a quebra de normas ocorreu em momento de exceção, e isso o governo precisa considerar, face às circunstâncias.
As mulheres dos policiais afirmam que seus maridos envolvidos estão sofrendo represálias e podem ser afastados das funções. Ora, o governo não precisa permitir esses extremos, considerando-se que há um bem maior a preservar, que é a segurança dos cidadãos, ameaçados que estão de um nova greve desses agentes.
É muito pouco – afora melhorias salariais e outros benefícios aos maridos – o que as esposas dos policiais estão reivindicando. Então, o atendimento desse pleito (a suspensão das punições) é um preço barato que o governo tem a pagar. Porque essa concessão poderá aplacar os ânimos.
Parece que falta sabedoria dentro do Palácio Iguaçu. Questões disciplinares são salvaguardas dos organismos policiais, mas é o governador do Estado o comandante de todos os chefes, e a ele compete tomar decisões em momentos delicados, quando está em risco a segurança dos cidadãos. Se o governo declara não ter dinheiro para elevar os soldos dos policiais reivindicantes, tem o dom da razão e do bom senso. Só não o usará se resolver postar-se intransigente.
A suspensão das punições poderá evitar uma nova greve, mas se ela ocorrer em função da imprevidência governamental, um homem será o único responsável: o governador Jaime Lerner. Não é apenas esta – repita-se – a reivindicação desses servidores, mas ela é a mais importante, no momento.
O governo precisa mostrar também a sua boa vontade. A demonstração de autoridade reside também no ceder. Suspender punições de caráter disciplinar – quando nem a falta e nem a anistia caraterizam dano à sociedade – não custará nada aos cofres do Estado e, no presente caso, trará grande benefício à causa da tranquilidade social.

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