EDITORIAL
Questionado sobre a razão de 20% da população paranaense viverem em situação de indigência, o Palácio Iguaçu botou a culpa na conjuntura econômica, saída fácil para transferir culpas. Mas se a conjuntura tem muito a ver, no Brasil, com a política governista, então as causas estão, em grande parte, dentro do círculo governamental.
De sua vez, os aliados do governador Jaime Lerner põem a culpa também nas prefeituras e isentam o governo estadual de qualquer responsabilidade, como se, com meras palavras, isso fosse possível. E assim, soluções, quando ocorrem, passam a ser obras do governo, já os problemas são da conjuntura e dos prefeitos. Estes, de sua vez, culpam as instâncias superiores da esfera governamental.
É certo que há um pouco de verdade em todas essas afirmações, mas isso só resulta na conclusão de que está nas mãos dos governos federal, estadual e municipal a origem de muitos males sociais e, por natural inerência, está também a solução. Porque o governo brasileiro - diferente do que ocorre nos países desenvolvidos - é o centralizador e o manipulador da vida nacional, notadamente nos setores econômico e social.
Além de ser o gerenciador das áreas vitais, é o governo que dita as normas da política econômica, que administra a moeda e estabelece impostos e tarifas, e assim enfeixa em suas mãos a manipulação da vida empresarial brasileira. O sistema político vigorante é tão poderoso que uma Medida Provisória ou um ato do Ministério da Fazenda ou do Banco Central podem virar de cabeça para baixo a nação inteira, de um momento para outro.
Os brasileiros estão muito dependentes das ações do governo, e assim é muito difícil operar com segurança, porque não existem políticas oficiais definidas. Não é estranho, então, que ocorram situações como as da indigência de 30% dos cidadãos do Brasil e, setorialmente, de 20% dos paranaenses.
Não há dúvida de que há culpa também na conjuntura, mas ocorre que a conjuntura é basicamente o governo. No caso do Paraná, tem boa razão o professor Pedro de Moraes, da Universidade Federal do Paraná, ao declarar - ontem, neste jornal - que se o governo estadual não modificar sua política de desenvolvimento o número de indigentes aumentará.
Certamente que a sociedade e o universo empresarial têm, também, sua parcela de responsabilidade nesse processo, mas é certo que a vida brasileira é muito cativa do governo. Há governo demais, no Brasil, e governo corrompido, inoperante para a criação de mecanismos de desenvolvimento. Porém muito operante na adoção de práticas desestimuladoras para as classes produtoras que, aos trancos e barrancos - e também cometendo os seus atos arbitrários e oportunistas - são ainda as que mantêm o emprego e seguram a barra deste país.
São 50 milhões de brasileiros vivendo em estado de miserabilidade, dos quais 2 milhões no Paraná, e ainda assim os governantes não admitem que alguma culpa lhes cabe. O que se faz necessário é a adoção de grandes reformas, que diminuam o custo da máquina pública, afastem cada vez mais a ingerência do Estado nas ações privadas, assim como sua sanha arrecadadora. E assim, sem os tropeços das políticas governistas, que a comunidade produtiva nacional se liberte e comece a andar pelas próprias pernas, sem peias, para que o Brasil saia da miséria e do marasmo, e cresça.





