A população brasileira está crescendo menos e envelhecendo mais. Esta é a primeira e mais destacada conclusão dos números divulgados pelo IBGE no censo realizado durante o ano passado. Há outras, também importantes, como o aumento de 11% na escolaridade dos jovens de 15 a 17 anos, comparado com o resultado de 1991. A pesquisa na metade da década é uma inovação. Conforme a Constituição, o País deve ser submetido ao recenseamento uma vez a cada década. Mas a contagem extra no meio do período permite aos governantes ter uma idéia melhor sobre a realidade populacional e outros indicadores, para orientar ações e projetos de longo prazo. E é esta a importância deste censo.
O quadro populacional mudou muito nas últimas décadas. São tão grandes as diferenças que as projeções do passado acabaram se mostrando subestimadas, levando muitos governantes a trabalhar com dados irreais. Isto teve sérias consequências nas ações de governo em áreas críticas, como saneamento, habitação, educação e saúde. Os investimentos nesses setores, que já seriam reduzidos em função das dificuldades econômicas do País, ficaram ainda menores porque a população crescia mais do que o esperado. A surpresa deste censo é que a taxa de aumento populacional caiu e os investimentos devem ser repensados, pois a população de mais idade cresceu.
Os números do IBGE mostram que a taxa de nascimentos está em declínio, a idade média dos brasileiros está aumentando e o número de idosos se encontra em crescimento. Em função destas revelações, é natural que as ações para o atendimento à população sejam revistas.
Se o Brasil já não é mais tão jovem como há duas ou três décadas, se sua população idosa cresce a cada censo, isto significa, entre outras coisas, que é preciso repensar o que se faz pelos mais velhos. Segundo os padrões estatísticos, a população economicamente ativa está na faixa dos 14 aos 65 anos. Ela deve ser sempre maior que a população inativa, os menores de 14 e os maiores de 65, mas a proporção entre as duas é variável e qualquer mudança nessa composição é importante para orientar as ações de governo. E não só elas. Também o setor privado tem de repensar suas ações, pois o que os números dizem é que os mais velhos não devem continuar sendo descartados do mercado de trabalho. Não só podem dar uma grande contribuição, como é deles agora, também, o futuro do Brasil.
Os números dos últimos cinco anos mostram novas tendências em vários pontos do País. O Paraná, que vinha perdendo população nas últimas décadas, cresceu cerca de 500 mil pessoas neste último levantamento. A taxa é maior que a nacional: 5,8%, contra 1,3%. Nas regiões Sul e Sudeste houve menos migração e uma ligeira alteração na tendência de ocupação do espaço, pois as capitais estão atraindo menos gente do que antes. A região metropolitana de Curitiba é exceção: é a que mais cresceu atraindo população do interior. E isto deve dar o que pensar ao governo do Estado.
Portanto, a população do País começa a se fixar mais nos centros médios, fugindo do ajuntamento cada vez mais sufocante das grandes capitais. Esta é uma oportunidade para os governos incrementarem programas de interiorização, tão necessária para melhorar a qualidade de vida da população. No caso do Paraná, a urgência dessa adequação é maior, para evitar o superadensamento de Curitiba e região metropolitana.
O trabalho do IBGE deve servir como base para uma nova visão do Brasil. Entre outras coisas, sinaliza com clareza para um crescimento que reclama, hoje, políticas concretas voltadas para atender às necessidades de uma população mais velha e carente de trabalho.

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