Deve-se crer que fala a verdade o senador Roberto Requião (PMDB) quando afirma que, se voltar ao governo do Paraná, recomprará a Copel – caso seja agora vendida – e anulará os contratos do pedágio nas estradas. Sua passagem pelo governo atesta que coragem para isso não lhe falta, nem destemor e independência para os pronunciamentos contundentes que faz. Ademais, desmanchar atos do governador Jaime Lerner, de quem é ferrenho adversário político, é algo que o satisfaria. Como as eleições não se realizaram ainda e não se sabe se o partido de Requião o indicará candidato, fica-se por ora no campo das possibilidades e nas promessas de campanha.
Não se imagina como o Estado poderia anular uma privatização e depois encontrar recursos para recomprar o que vendeu, estando o governo endividado, e como rescindir os contratos do pedágio – que têm validade para mais 22 anos – e ainda cobrir a alta indenização que isto representaria. De qualquer forma, sabe-se que esses temas – Copel e pedágio – serão dominantes na campanha eleitoral, que já começa. Outros candidatos das oposições também preparam seus canhões e sabem que estes são dois ricos filões.
Requião não malha em ferro frio e sabe que a população paranaense é contrária à venda da Copel. Segundo levantamento do próprio governo, os números apontam para 77% de contrários. Têm esta informação, portanto, o governador e os deputados estaduais, a quem cabe decidir revogar ou não a lei de privatização já existente. Contrariar esta vontade é uma decisão frontalmente antipovo, portanto antidemocrática e no mínimo afrontosa, eis que se opõe ao desejo da maioria dos cidadãos.
Desde que o pedágio foi implantado, o político Requião patrocinou a elaboração e distribuição de adesivos – ainda encontráveis afixados nos veículos – dizendo que ‘‘pedágio é roubo’’. Sua posição, também, sempre tem sido contrária à privatização da Copel. Agora, em pronunciamento a este jornal, ele afirma que este não é um discurso de véspera de eleição. ‘‘É para mostrar que não estamos brincando’’, enfatiza.
Já dias atrás, outra voz da oposição – a de Luiz Inácio Lula da Silva, classificado mais uma vez como presidenciável – proclamou que se a empresa Furnas Centrais Elétricas for privatizada pelo presidente Fernando Henrique, ele a recomprará, se chegar ao governo.
Não há dúvida de que, no caso específico do Paraná, o alerta de Requião – um político sempre cotado para reassumir o governo do Estado – desestimula os pretendentes à aquisição da Copel e põe de sobreaviso as concessionárias do pedágio. No mínimo, acredita-se que o futuro governo estadual – com todos os indícios de que será da oposição – mexerá nos contratos do pedágio.
Sinal de que muita turbulência vem por aí. Mas uma boa turbulência, neste País e neste Estado onde o marasmo governamental se implantou e onde, contudo, não faltaram procedimentos irresponsáveis e arbitrários, na esfera dos negócios públicos, e de lambujem muita corrupção.

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