Punições são necessárias para os infratores do trânsito, sobretudo os que abusam da velocidade, esta a mais grave das infrações e a que gera mais acidentes. Mas o que lemos agora é que a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) quer instalar câmeras fotográficas em 100 pontos da cidade, para flagrar infratores. Vem aí, portanto, mais um mecanismo de punição. Parece que a sanha do Poder Público é mesmo punir, quando deveria, antes, fazer muitas coisas que lhe cabe, para melhorar o trânsito e dar-lhe mais segurança, e assim diminuir as infrações e os acidentes.
Arapucas para capturar infratores são caminhos, mas evidencia-se aí mais um propósito de arrecadar. Multar ajuda, e muito, porque uma parte bastante sensível do cidadão é o bolso. Mas, com o dinheiro para instalação das 100 câmeras, melhor seria readequar os semáforos, eliminando essas geringonças antigas de três tempos, e adotar intensamente os sistemas mais modernos, como os que já existem; sincronizá-los, para evitar longas paradas diante deles, com gasto desnecessário de combustível e perda de tempo; reestudar sentidos de mãos; verificar os pontos críticos e dotá-los de mais mecanismos de advertência e prevenção; colocar mais placas indicativas, até para orientar os motoristas de fora; dar atenção também à questão do estacionamento, eventualmente permitindo-o em diagonal, onde possível; evitar perigos como aqueles obstáculos de cimento plantados nas esquinas sem se saber a razão e a utilidade deles etc.
Uma das primeiras providências será a CMTU lembrar-se do pedestre, porque ele não tem vez. Falta sinaleiro para ele. Se a pessoa vai cruzar a rua no momento em que os veículos aguardam o sinal, sofre o risco de ser atropelada pelos que vêm de sua esquerda ou direita. E que não se esqueçam a CMTU e todo o sistema de policiamento do tráfego urbano de colocar os guardas literalmente nas ruas, para orientar o tráfego nos momentos de pico e nos pontos de maior conflito; assim, tirá-los das esquinas, onde eles se plantam só para multar e não para evitar que uma infração ou um acidente aconteçam. Guarda existe para servir, para evitar o cometimento de infrações, acidentes e mortes. Fora disso os guardas de trânsito terão pouca serventia.
Colisões, nas esquinas onde não há semáforo, ocorrem também porque o motorista não tem visão de quem vem pela sua direita ou esquerda, porque os carros estacionados encobrem-lhe a visão. Então ele terá que avançar, e aí podem resultar as trombadas. Uma prática seria evitar o estacionamento desse lado crítico e colocá-lo no outro, invertendo-se a posição na quadra seguinte, e assim sucessivamente, sempre de forma a permitir a visão de quem está ao volante. Existe, em Londrina, a ‘‘linha burra’’ de estacionar apenas de um lado, quando o sistema intercalado poderia evitar muitos acidentes.
Em Londrina, muitos semáforos, além de arcaicos e fora de sincronia, estão colocados no lado anterior da rua, em cima da cabeça do motorista, quando deveriam estar do outro lado da rua, para facilitar a visão e evitar gastos com os postinhos laterais, que nada mais são do que uma duplicação totalmente fora de propósito.
Há que se fazer estudos aprofundados e não tomar medidas de afogadilho, como esta de – antes de coisas primordiais – instalar as câmeras fotográficas escondidas, de custo elevado e que têm função apenas de punir, depois que o motorista irresponsável já tenha, eventualmente, atropelado alguém. Câmeras ocultas não evitam o acidente, apenas o registram. É isto que a CMTU quer? - O Poder Público tem mais erros que acertos na estrutura do trânsito, então, é o primeiro infrator. Primeiro, então, que faça a parte que lhe cabe – para não se manter na infração da negligência – e depois instale os mecanismos de punição.

mockup