O Plano Real, criado no governo de Itamar Franco mas que se desenvolveu, em sua quase totalidade, nos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso, faz o balanço de seus sete anos de existência e revela-se – pelos rumos que lhe deu FHC – não haver passado de um projeto monetário. Não alcançou dimensões de um Plano Brasil. Se obteve algumas conquistas, como plano de moeda, o Real não acrescentou nenhum progresso para o desenvolvimento nacional, porque não se atrelou a nenhum projeto nesse sentido. Eis que nenhum projeto houve.
Pela visão internacionalista do superministro das Finanças, que é a mesma de FHC, o Plano Real privilegiou a especulação financeira, externa e interna, e esqueceu-se de projetos nacionais para o crescimento do País e para o bem-estar social. O governo de Fernando Henrique chega ao 7º aniversário obstinado por uma política de contenção da inflação, que, em verdade, não segurou o Real no patamar inicial mas viu a moeda desvalorizar-se, nesse período, em 206%.
Os números divulgados sobre a denominada estabilidade da moeda – que não houve – apenas contemplaram o consumidor orgânico, pois a cesta básica manteve-se mais ou menos estável, mas na extensão também o consumidor acabará prejudicado se o desemprego e o trabalho informal cresceram, e não existem planos governamentais para modificar isso. Para um homem sem trabalho, cesta básica barata não significa nada se ela não chegar à mesa de sua família.
Sem uma política paralela de desenvolvimento, a Nação não se sustentará. Poderá subsistir por um tempo mas não todo o tempo. Sem um programa de dinamização da indústria, da agricultura, dos serviços, o capital ficará estagnado, apenas girando em torno da especulação financeira, e isso não dará suporte à moeda.
Vê-se que, nestes sete anos de Plano Real, que coincidem com os anos do governo de Fernando Henrique e de seu estrategista monetário, o Brasil cresceu pouco, e onde cresceu foi graças ao arrojo da iniciativa privada, que não contou nem com recursos nem com outras facilitações governamentais. Antes o contrário.
Nesse período, o sistema de saúde continuou de mal a pior, o mesmo se dizendo da educação e da segurança públicas. O índice de emprego caiu, a agricultura continuou desassistida, o Nordeste permaneceu seco e faminto, a energia elétrica escasseia por negligência governamental, os serviços públicos estão deteriorados, um mar de Medidas Provisórias transformou o regime democrático em quase semiditadura, a dívida externa subiu de R$ 148 bilhões em 1994 para R$ 236 bilhões hoje, a dívida interna passou de 39% do PIB em 1994 para 50% em 2001, as estradas estão esburacadas, os sistemas penitenciários falidos, corrupção e barganhas correndo soltas na esfera governamental, e total descrédito da população ante o governo federal e todos os homens públicos.
Só os bancos foram privilegiados, porque seus juros mantêm-se estratosféricos e seus lucros transcendem o aceitável, já de há muito situados na faixa da usura. Mas o presidente FHC continua encantado com seu governo. Sua vaidade e sua aversão ao menor aceno de crítica, já são sobejamente conhecidas. Não à toa os índices de aprovação de seu governo são baixíssimos. Naturalmente que, sem políticas de estabilização concreta da economia o País se torna mais vulnerável às turbulências internas e externas. Os sete anos de FHC revelam um Brasil sem projetos governamentais de envergadura. O Brasil de 1994 é o mesmo de hoje.

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