Quase três décadas dedicadas à causa do desenvolvimento da pesquisa e da tecnologia agrícolas, e à colheita de resultados surpreendentes em benefício do agronegócio paranaense. Esta a obra do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), que ontem comemorou 29 anos de atividade e destaca-se como uma das mais importantes instituições de pesquisas agronômicas do País. O Paraná não teria alcançado o nível de desenvolvimento que hoje ostenta, em sua agricultura, se não contasse com o Iapar. Mas não apenas o Paraná e sim todo o País, porque muitas pesquisas aqui realizadas transpuseram fronteiras, disseminaram-se por muitos pontos do Brasil e beneficiaram também outros países.
Destacam-se a criação e o lançamento de mais de uma centena de variedades de plantas da cadeia alimentar, técnicas de manejo e conservação do solo, de controle de pragas e doenças das plantações, desenvolvimento de técnicas de plantio direto e todas as tecnologias para aumento da produtividade no campo e da qualidade dos produtos. A triticultura e a cafeicultura pós-grande geada ganharam impulso, no Paraná, pela contribuição tecnológica do Iapar.
Obra cuja implantação no Paraná – e estrategicamente em Londrina, maior centro urbano dentro da gigantesca fazenda agrícola compreendida pelo Norte do Paraná – a existência do Instituto Agronômico do Paraná se deve à visão de Celso Garcia Cid, Francisco Sciarra, João Ribeiro Júnior e João Milanez, que batalharam incansavelmente junto aos governos federal e estadual, 35 anos atrás, para que o nosso Estado sediasse uma instituição de pesquisas agronômicas. O Paraná de sistemas agrícolas ainda empíricos haveria de mudar o seu perfil, daí em diante. O Iapar veio expandindo seu campo de ação e hoje se espalha por todo o Estado, como seus núcleos e campos experimentais.
O Paraná soube adiantar-se, no momento oportuno, com o vislumbre de que o ciclo cafeeiro sofreria alterações e que era necessário o desenvolvimento de outras culturas. A presença do Instituto Agronômico deu sustentação a um novo modelo agrícola, que viria a derivar para o cultivo de soja, trigo, milho, algodão e também o café, nos produtos da horticultura e da fruticultura, na continuidade a pecuária, em todas as suas variantes, e os negócios daí derivados.
Mas o Instituto Agronômico, quando completa seu 29º ano de existência, tem também reivindicações, pela palavra de seu presidente, agrônomo Florindo Dalberto, que fala da necessidade de um realinhamento institucional do Iapar, o que quer dizer maior autonomia, transformações modernizadoras, renovação de quadros (pois há 15 anos não se realiza concurso público para cientistas) e sobretudo a retomada de investimentos estratégicos na infra-estrutura científica. Lembra que a obsolescência nesse setor é rápida, frente ao surgimento de novos campos de conhecimento, como a biotecnologia e a bioinformática.
O Iapar reclama também mais aporte de recursos federais, porque a instituição serve não apenas ao Paraná mas ao País. Um documento-síntese dessa proposta – aprovada dia 19 último em Brasília, durante o Fórum dos Secretários da Agricultura – abarca outros sistemas de pesquisas agrícolas dos Estados brasileiros e será entregue dia 3 de julho ao presidente da República.
O representante dos funcionários no Conselho de Administração do Iapar, Altair Sebastião Dorigo, diz que a transformação do instituto, em 1991, de fundação para autarquia, tornou a instituição mais dependente e menos ágil administrativamente. Em consequência disso o regime trabalhista foi alterado, iniciando-se um processo de evasão de especialistas, em função de baixos salários, e a aceleração de aposentadorias. Também denuncia que, no período de 1994 a 2000, os recursos estaduais para os projetos de pesquisa e manutenção de instalações físicas da sede, estações experimentais e pólos regionais, foram reduzidos em 75%. Pela denúncia de Dorigo, escasseiam recursos para aquisição de insumos agrícolas, de reagentes de laboratório, de material de expediente e de manutenção adequada das instalações físicas, das máquinas e implementos agrícolas e da frota de veículos.
A manutenção da qualidade do Instituto Agronômico do Paraná é uma nova cruzada que se trava, e as lideranças de hoje é que devem assumi-la, como aconteceu quando um punhado de idealistas buscou e conquistou o mais difícil, que foi a implantação dessa instituição de pesquisa agronômica.

mockup