Para ser o primeiro país mais honesto do mundo o Brasil terá que superar 45 outros, entre os 91 pesquisados pela ONG alemã Transparency International. Já houve progresso, do ano passado para cá, mas nosso país está longe de chegar ao nível de Finlândia (primeiro no ranking), Dinamarca, Nova Zelândia, Islândia, Cingapura, Suécia, Canadá, Holanda, Luxemburgo e Noruega, os dez primeiros.
Enquanto esses dados são divulgados, no Brasil novas denúncias em torno de velhos casos vão surgindo, como as que envolvem o presidente do Congresso Nacional, Jader Barbalho.
Os povos mais sérios do planeta devem se perguntar como uma nação sobrevive imersa em tantas denúncias de corrupção de seus governantes, e como um político sob suspeita pode ser guindado, pelos seus pares, ao cargo de presidente do Parlamento. Imaginam, certamente, que são todos corruptos ou que essas questões de corrupção são irrelevantes no Brasil.
Quando seria de esperar que um parlamentar sob investigação, ao menos por decoro, se afastasse até a apuração das denúncias, ouvimos esse político tornar-se irredutível, agarrar-se com unhas e dentes ao cargo e proclamar, em tom de valentia - como se esta fosse uma simples briga de rivais - que não renunciará.
Fosse um cidadão digno, abandonaria elegantemente as funções que exerce e aguardaria, sereno, a conclusão das investigações. Mas, naturalmente que, além da ausência dessa grandeza no cacique político paraense - grandeza que, com raras exceções, escasseia nos homens públicos deste país - ele não tem certeza de poder safar-se de tantas denúncias que pesam sobre ele, desde os tempos em que foi governador do Pará e ministro.
Por onde passou, Jader Barbalho foi deixando evidências de negócios ilícitos, mas pôde ir se livrando, pela dificuldade na juntada de provas e pelos favorecimentos que a elasticidade das leis brasileiras proporciona.
Descendo ao nosso Paraná, ontem a imprensa publicou que o secretário de Desenvolvimento Urbano, Lubomir Ficinski, é denunciado pelo corregedor-geral do Tribunal de Contas do Estado sob a acusação de firmar contratos sem licitação, no Programa Paraná Urbano. Pela denúncia, Ficinski é o principal responsável por irregularidades na prestação de contas de 74 prefeituras envolvidas no projeto.
Já no ano passado, outro secretário - o do Meio Ambiente, Hitoshi Nakamura - foi acusado de causar prejuízo de R$ 30 milhões aos cofres do Estado. O processo ainda caminha. De tudo isso resulta um desencanto dos cidadãos com tais fatos, que vão se repetindo e parecem nunca acabar.

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