Com o advento da guarda de trânsito municipal agravou-se, em Londrina, a suposta indústria das multas. Se em muitos casos elas são aplicadas adequadamente, parece estar havendo uma euforia pela punição. Ao invés de guardiães e orientadores de trânsito, os agentes converteram-se em punidores. Poucas vezes se viu esses guardas municipais prestando algum serviço de orientação do tráfego, senão postados nas esquinas, vigilantes para surpreender alguém em falta e multá-lo.
Já alertamos sobre o problema, neste espaço, e agora três cartas publicadas neste jornal demonstram a verdade do que temos dito. São cartas de cidadãos conhecidos na cidade - um médico, um advogado e um empresário - que foram punidos sob a acusação de uso de telefone celular, ao volante, sem terem celulares. O caso lembra o gracejo em voga na cidade: o cidadão que coça a orelha, ao volante, corre o risco de ser multado por um guarda míope, imaginando que está usando telefone. O valor da multa, todos sabem, é alto - algumas chegam a R$ 180 - portanto um salário mínimo - afora os pontos descontados na carteira de habilitação.
O advogado citado afirma que, pelo sistema da Companhia Municipal de Trânsito Urbano, não vislumbra a menor esperança de sucesso no recurso administrativo, por parte das vítimas inocentes, porque - diz - ‘‘a palavra do cidadão não tem o menor valor’’, nesse processo. ‘‘O julgamento do recurso é sumário, e sabemos, nós advogados – declara – que é quase impossível produzir prova negativa’’. Estamos, pois, diante de uma ditadura do trânsito sobre indefesos cidadãos.
O advogado afirma que, em seu caso, já recorreu administrativamente e vai recorrer judicialmente, e que ouviu histórias de agentes de trânsito incitados a uma produção mensal de autuações.
Melhor do que a sanha de punir seria esses guardas municipais dizerem a que vieram, pois eles não são vistos dando orientação ao tráfego, sobretudo em momentos de pico, o que evitaria infrações e acidentes. É isto o que deles se espera, mas até parece que são favoráveis a que mais infrações aconteçam.
Também os guardas tradicionais não são muito atuantes para ajudar no desembaraço, orientação e ajuda ao motorista. Eles pouco previnem o motorista para impedi-lo de cometer uma infração, mas deixam que ela ocorra. O apito existe justamente para o policial acioná-lo, se o motorista está estacionando irregularmente ou prestes a cometer uma infração evitável.
O prefeito municipal e o diretor de Policiamento de Trânsito precisam devolver aos cidadãos a confiança sobre a função primordial de seus agentes, e dar explicações sobre as suspeitas de que esteja vigorando, realmente, uma indústria de multas de trânsito.

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