Fotografias publicadas por este jornal e o testemunho dos usuários mostram o estado de abandono das estradas do Paraná. A situação é caótica. O governador – agora se preparando para mais uma ausência em terras estrangeiras – compareceu esta semana à inauguração de um simples viaduto, construído por uma concessionária do pedágio, fez discurso e falou da diminuição de acidentes e mortes por mérito da obra. Porém ignora a situação de 4 mil quilômetros da malha rodoviária estadual quase totalmente esburacados, sem acostamentos e com precária sinalização, o que vem resultando em danificação de veículos e tragédias fatais. Nestes casos não se ouve a palavra do governador, ao menos para admitir o problema e dizer quais são os planos de solução.
No caso do viaduto inaugurado, informa-se – apenas para aproveitar a oportunidade de mostrar números interessantes – que a concessionária levou um ano para construí-lo e afirma haver gasto R$ 4,5 milhões com a obra. A própria empresa informou, na ocasião, que passam pelo local 25 mil veículos por dia, isto significando (a tomar por média R$ 5 cada carro) uma receita de R$ 125 mil/dia, ou R$ 3,750 milhões/mês, ou R$ 45 milhões/ano.
Mas enquanto a inauguração acontece e é capaz de levar um governador de Estado para esse ato, a maior parte das estradas do Paraná está entregue ao abandono. Mesmo que o chefe do governo se ausente mais uma vez e seja pouco propenso a incursionar pelo interior do Estado que governa – onde lhe escasseiam os aplausos e são muitas as reivindicações – ele precisa saber da situação de calamidade em que se encontram nossas estradas.
Na Região Noroeste, lideranças políticas e empresariais anunciam que vão tomar ‘‘medidas radicais’’ (supostamente bloqueio das estradas ou a plantação de bananeiras no meio do caminho, como já fizeram recentemente), visando com isso sinalizar seu protesto e escandalizar a situação. Nem pode o governo afirmar que isto é campanha das oposições, porque um vereador do partido do governador desabafa, através deste jornal, dizendo que de nada adianta a vinculação partidária porque seus apelos não têm sido atendidos.
No Paraná houve governantes que, sem dinheiro de pedágio mas apenas com os recursos da arrecadação pertinente ao setor, asfaltaram milhares de quilômetros de estradas; e houve governos que, além de não haverem construído um quilômetro sequer de rodovia, ainda abandonaram as estradas existentes. Espera-se que, na volta desta viagem que fará nos próximos dias, o governador encontre tempo para olhar para a situação das estradas. Os paranaenses apreciarão vê-lo inaugurando essas obras de restauração. E o aplaudirão por isso.

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