Os anunciados esforços dos parlamentares para melhorar a imagem do Congresso junto à população não estão surtindo efeito sequer internamente. Conforme o calendário oficial de trabalhos, Câmara e Senado reiniciaram sexta-feira passada os trabalhos deste semestre, após um curto recesso decorrente da convocação extraordinária, que rendeu pouco para a Nação e muito para os convocados. Mas logo no primeiro dia oficial, só o Senado teve quórum para abrir a sessão e funcionar normalmente, inclusive com debates. Na Câmara dos Deputados, apenas três parlamentares apareceram, o que não justifica sequer acender as luzes do imenso salão. Lembrando os motores que estão frios ao amanhecer, a arrancada foi um vexame.
Mas os membros do Poder Legislativo brasileiro podem recuperar facilmente a credibilidade junto à população. Afinal, continuam em pauta assuntos da maior relevância, entre os quais as reformas administrativa e da Previdência, que esperam decisões finais do Poder. Há outros temas igualmente sérios nas pautas sobrecarregadas da Câmara e do Senado e basta que, nestes meses finais do ano, haja empenho por parte de todos para debater e votar aquilo de que depende o futuro de toda a Nação.
O povo é, na realidade, muito compreensivo e bom. Para completar, tem memória curta. Assim, por que não aproveitar o tempo que resta até o fim do ano para que as falhas, omissões, equívocos e distorções dos últimos dois anos e meio desta Legislatura sejam apagados do inconsciente coletivo ao ser substituídos por grandes realizações? Não há ocasião mais propícia do que esta. Este é um ano sem eleições, deputados federais e senadores não precisam se ocupar nem com a busca de novos mandatos, nem com o apoio a candidatos em suas bases. Só no ano que vem é que terão de se preocupar com eleições e reeleições.
Aliás, quanto mais e melhor trabalharem este ano, menos preocupação terão para o próximo ano.
O tempo disponível é mais do que suficiente para apreciação das reformas em pauta, discussões, votação, aprovação e promulgação. Havendo real disposição para o trabalho, sem os recessos especiais que têm marcado sucessivamente as legislaturas brasileiras, o segundo semestre é uma oportunidade de ouro. O calendário é extremamente interessante em relação aos feriados: todos, como Independência, Padroeira do Brasil, Proclamação da República, exceto o Natal, caem em domingos. Não há por que fazer feriadões ou esticar o fim de semana.
Os ventos são a favor, neste semestre. É só aproveitar, e quem souber fazê-lo terá boas chances no duro embate eleitoral de 98. Além disso, com importantes assuntos resolvidos, o País teria o que comemorar e o Congresso, finalmente, teria produzido uma mudança radical em seu conceito junto à população. Estariam prontas, assim, as bases necessárias para a continuidade do processo de estabilização e para o futuro de todos os brasileiros.

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