EDITORIAL
A poluição ambiental se manifesta de várias formas, e uma delas, muito neurotizante, é a dos ruídos das cidades. Em boa hora Londrina passa a se preocupar com isto, e hoje uma comissão se reúne, na Câmara Municipal, para discutir mudanças no Código de Posturas do Município, que, entre outras funções, disciplina a denominada Lei do Silêncio. O problema não é apenas de Londrina mas de todas as cidades paranaenses de médio e maior porte.
O abuso na emissão de sons generalizou-se e está presente no alto volume da música em casas noturnas de recinto aberto, nas festividades públicas, nos carros de publicidade, nos comícios eleitorais, nas igrejas, nos equipamentos de som dos automóveis e nos escapamentos superabertos das motocicletas, dos veículos pesados e da frota de carros sucateados que ainda circulam. Também as viaturas socorristas às vezes abusam de suas sirenes, pois as acionam mesmo que a ocasião não seja de emergência.
Com o advento dos sistemas de entrega em domicílio de alimentação e encomendas - o que é feito principalmente com motocicletas - e a presença nas ruas, agora, dos mototáxis, a poluição sonora intensificou-se, porque esses veículos não têm abafadores de ruído como os automóveis modernos. A ânsia por entregas rápidas aumenta o ruído dos motores e transforma esses veículos em desassossego para os ouvidos. Ademais porque atuam também à noite e até certas horas da madrugada, sem falar que o excesso de velocidade e as acrobacias que fazem têm resultado em grande número de acidentes e mortes.
O mal tem origem nas próprias fábricas desses veículos que apenas recentemente passaram a ser enquadrados em normas regulamentadoras da intensidade de ruído, e no Brasil permite-se que continuem em circulação automóveis excessivamente velhos, geradores de muito ruído e oferecendo sério perigo à segurança própria e a de terceiros. Os agentes de trânsito punem quem usa o telefone celular dirigindo, os que são surpreendidos sem o cinto de segurança, mas não aplicam nenhuma sanção para os casos de escapamentos estridentes nem dos potentes equipamentos de som dos carros, acionados geralmente no horário noturno e com mais frequência nos fins de semana.
Naturalmente que a população que habita as cidades tem que ter sua cota de tolerância, porque a vida urbana é agitada e turbulenta, mas há abusos que o policiamento pode coibir, sobretudo os de motores e equipamentos de som. Quanto mais civilizados os povos, menos ruídos poluentes existem, isto significando que o crescimento das cidades e o uso de tecnologias avançadas não são incompatíveis com o bem-viver.





