EDITORIAL
As razões do Governo do Paraná para vender a Copel nunca foram suficientemente explicadas, e as explicações dadas sempre deixaram muitas dúvidas. O primeiro argumento foi que a empresa perderá competitividade diante das concorrentes privadas do setor, se permanecer como estatal. Depois a justificativa foi que a venda proporcionaria sustentação à Previdência do Estado, eis que a lei de privatização, em vigor há três anos, estabelece que a maior fatia desse dinheiro (70%) será destinada a esse fim. Mais recentemente o argumento derivou para o atendimento às áreas de saúde, educação e segurança.
Sabe-se que o governo estadual tem uma dívida, já admitida, de mais de R$ 7 bilhões, com algumas correntes garantindo que é mais que isto. O Banco do Estado do Paraná já foi vendido, parte da Sanepar também, royalties da Usina de Itaipu foram recebidos antecipadamente, comprometendo pelo menos cinco administrações futuras, e a conta a pagar não mudou de tamanho, mas ao contrário, parece crescer. Agora a obstinação é pela venda da Copel, sabendo-se que, por melhor negócio que se faça com essa transação, a receita pouco atenuará a dívida, eis que o dinheiro será quase todo destinado à ParanáPrevidência, e o Estado ainda terá que recuperar as ações da Copel caucionadas junto ao Banco Itaú, adquirente do Banestado.
Agora o governo faz uma nova conta e joga na futurologia do catastrofismo, apontando que o Paraná vai gastar R$ 41 bilhões com aposentadorias e pensões de funcionários públicos até 2030, e que o rombo seria amenizado com a transferência de recursos proporcionados imagine-se com o quê? com a venda da Copel.
São argumentos muito exóticos do governo. Primeiro, ao qualificar de rombo um direito dos aposentados e pensionistas, e segundo, deixando o ponto de interrogação de como R$ 3 bilhões da Previdência do Estado, que seriam arrecadados com a venda da Copel, poderiam fazer o milagre qual a multiplicação bíblica dos pães e peixes de amenizar uma conta de R$ 41 bilhões. Matemáticas complicadas demais para o entendimento dos cidadãos comuns e mesmo dos entendidos em cálculos, que estão interessados em verdades mais palpáveis.
A Copel, aos ouvidos de quem escuta estes argumentos, passou a ser a salvadora de todas as situações de dificuldade do governo, e ao mesmo tempo um incômodo, qual batata quente se permanecer nas mãos do Estado. Ocorre também que, com a venda da sua companhia de eletricidade, o governo deixará de arrecadar dividendos, pois tem participação acionária na empresa e esse dinheiro irá fazer falta. O Estado contará com uma galinha dos ovos de ouro a menos, e justamente a mais poedeira. Ficará, portanto, ainda mais pobre e se fizer novo exercício de futurologia com mais dívidas pela frente.





