Tão importante quanto o presidente da República é o técnico da Seleção Brasileira de Futebol, e a mudança no comando da equipe, que agora ocorre, é de grande relevância para a estabilidade emocional da nação em chuteiras, como a definia Nelson Rodrigues. Existem certos cismas, nunca decifrados, no futebol verde-e-amarelo, e um deles é a dos técnicos que dão certo e dos que não dão certo. Escapam aí avaliações de qualificação profissional e entram valores como os da empatia de um treinador com a equipe e com a própria torcida. E quando a Seleção comete vexames como o ocorrido agora na Copa das Confederações, o técnico cai em desgraça popular e mais se ressalta a crença em mitos.
‘‘Precisamos mostrar aos torcedores que nós gostamos deles’’ - definiu Luiz Felipe Scolari ao assumir como novo técnico da Seleção, e esta é uma postura que, de pronto, ganha a simpatia da torcida brasileira, com a qual não tinham muita afinidade os técnicos mais recentes, entre eles o que, na última Copa do Mundo, disse que ela teria que ‘‘engoli-lo’’, e o resultado é o que todos sabem. Está certo o novo técnico em sua anunciada política de trabalhar com um grupo-base, sem experimentações com muitos jogadores, diferente do que ocorria com os treinadores mais recentes.
Suas primeiras palavras não são a do costumeiro negativismo e do excesso de zelo de certos técnicos - como a demonstrar humildade - mas de garantia de que o Brasil se classificará para a próxima Copa e que a Seleção Brasileira ‘‘voltará a ser a primeira em futebol’’. São palavras que a nação aprecia ouvir. Scolari anuncia que quer mudar a cabeça do jogador brasileiro, em quem, segundo ele, sobra profissionalismo mas falta amadorismo. Com isso quis dizer que há mais amor no espírito dos amadores. Ressaltou essa virtude no tenista Gustavo Kuerten, que ele definiu como um atleta que demonstra jogar com amor e prazer.
O futebol é uma questão de grande importância nacional e a indicação de um técnico do porte de Felipe Scolari, que goza da simpatia de todas as colorações da torcida brasileira, afigura-se como uma solução num momento em que tantas atribulações atormentam a vida dos cidadãos, como o desemprego, os desmandos governamentais, a corrupção e agora a escassez de energia elétrica. Amargar derrotas como a que aconteceu agora com a Copa das Confederações, e o risco de a Seleção não se classificar para a próxima Copa do Mundo - o que aconteceria pela primeira vez na história do futebol brasileiro - são situações que mexem profundamente com o emocional dos brasileiros e têm reflexos na vida nacional, tão carente de otimismo e de boas notícias.

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