Por mérito da ameaça do apagão, a consciência da sociedade reacendeu-se e a economia espontânea de energia elétrica alcança índice altamente animador. No Paraná, que não está na lista dos Estados sujeitos à imposição oficial do racionamento, a queda voluntária do consumo, só neste período do alerta nacional, já chegou a 5%, prevendo-se que o total da Região Sul – que está fora dos cortes – supere os 7% já alcançados. Em São Paulo, maior centro populacional e industrial do País e também o maior consumidor de luz-e-força, o autocontrole do racionamento atingiu 22%, e sem prejuízos.
Em nível nacional, a economia adotada pela sociedade desperdiçadora já está na média de 20% e os mais otimistas acreditam que chegue a 30%, muito breve, superando os índices da ameaça oficial de cortar 20% em forma de racionamento imposto por apagões, punições e outros mecanismos.
Esta ação surpreendente da sociedade – antes de mais nada por proteção do próprio bolso – serve para uma infinidade de reflexões. O que primeiro se evidencia é o poder da população quando, ante uma aguda necessidade, é impulsionada a mobilizar-se e a defender-se. Um poder do qual tem consciência mas não o emprega com a necessária frequência. Outro ponto foi a constatação do desperdício de energia elétrica, por parte das comunidades familiares e das empresas.
Ao apagar das luzes e ao religar-se a tomada da consciência, todos perceberam rapidamente que desperdiçavam eletricidade demais. Ante o risco dos apagões, a sociedade mobilizou-se numa verdadeira cruzada que, se não tem muito de civismo, tem muito de conscientização. O governo não precisou fazer muito, bastou ameaçar. Ao menos para isto ele está servindo, por ora, porque a parte que lhe compete é debruçar-se, doravante, sobre projetos alternativos de produção de mais energia elétrica, pois um país em crescimento como o Brasil irá necessitar dela de forma crescente.
Portanto, reformular sistemas e economizar energia é necessário, mas há que pensar que a população brasileira vem aumentando, que o País se desenvolve e que a demanda energética caminha paralela, exigindo que os governos e os cidadãos ponham a criatividade em ação e reinventem formas de produzir a força elétrica que irá sendo exigida. E que seja de natureza limpa e não danifique o meio ambiente. Por ora, o registro otimista é que a sociedade tomou consciência da realidade, na questão do uso racional da energia elétrica, e está contribuindo brilhantemente com sua cota espontânea de economia, o que, por si só, poderá até resultar na suspensão dos apagões.

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