EDITORIAL
Em histórica decisão, consubstanciada em manifesto que está sendo publicado hoje nos jornais, a Associação Comercial do Paraná (ACP) alia-se na defesa dos interesses da sociedade paranaense e propõe a suspensão do processo de privatização da Copel. A posição da ACP tem o peso da opinião de 70% dos seus 8 mil associados, que vieram sendo consultados ao longo dos últimos seis meses, através de múltiplas formas, compreendendo debates com segmentos envolvidos no processo de privatização, como os governos do Paraná, São Paulo, Minas Gerais e a esfera federal, ex-governadores, partidos políticos, sindicatos e especialistas em energia elétrica. O resultado final foi o consenso contra a venda da empresa.
A posição da Associação Comercial do Paraná, cujos associados são pequenos e grandes empresários consumidores de considerável fatia do volume energético é um vigoroso alerta contra a obstinada vontade do governo estadual de desfazer-se da companhia estatal de energia elétrica. A Copel é uma empresa que é exemplo de desempenho e eficiência e está no ponto de maturidade que lhe permite lucro, projetos de expansão e melhoria de qualidade.
A ACP ressalta a história da Copel e o padrão de qualidade que a empresa alcançou nas áreas de pesquisa, engenharia, informática, resultado da visão privilegiada de governantes do passado, como Ney Braga, que aliou geração de energia com o crescimento e o desenvolvimento do Paraná nos setores agrícola e industrial. Demonstra a ACP, em seu manifesto, que a Copel geradora de 6% de toda a energia elétrica consumida no País, ao contrário das estatais energéticas privatizadas em 22 Estados não é apenas distribuidora ou transmissora de energia mas atende diretamente a 2,8 milhões de consumidores e conta com um parque gerador próprio de 18 usinas, aptas a produzir energia elétrica para os próximos 30 anos, a custo baixo.
A decisão da Associação Comercial, tornada pública em momento oportuno, pede a imediata suspensão do processo de privatização da Copel, num momento em que a demanda de energia se transforma no maior desafio para o governo federal, para os governos estaduais, para a economia brasileira e para a população em geral.
A ACP assume a sensatez de uma entidade de sua tradição e de seu porte ao conclamar que a Copel permaneça em mãos de paranaenses e que vendê-la, neste momento, sob o argumento da cotação alta que possa alcançar, é como especular com o patrimônio familiar e transformar energia elétrica em mercadoria. A associação sugere que a necessidade de obtenção de recursos para compor o Fundo de Previdência do Estado e recuperar o equilíbrio financeiro dos cofres públicos, dentro das determinações da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) justificativas do governo estadual para a privatização da Copel a curto prazo poderia ser realizada com a venda da participação acionária que a empresa mantém em empresas não vinculadas diretamente à produção de energia.
O manifesto da ACP é mais um aviso aos deputados que representam o povo na Assembléia Legislativa e a quem cabe revogar a lei vigorante que permite a venda da Copel; um aviso de que eles conhecem a posição da população, e contrariá-la será uma traição e a abertura de caminhos para suspeições, colocando-se na berlinda perante seus eleitores. Não bastasse a manifestação popular contrária à privatização e sobejamente conhecida dos parlamentares a posição da Associação Comercial do Paraná consolida o movimento dos paranaenses contra o propósito governamental de entregar sua estratégica companhia de eletricidade a mãos estranhas.





