EDITORIAL
Em meio à poluição das informações sobre corrupção, apagões de energia elétrica, grampos telefônicos, farras governamentais com o dinheiro público, o Paraná-cidadão dá outra resposta, representada pela safra recorde de soja e milho, que agora anuncia seus números oficiais. Em escala nacional, é alentador sempre saber que, ao lado do Brasil burocrata, inoperante e ineficiente, caminha um Brasil paralelo, sujeito a chuvas e trovoadas mas que alavanca o desenvolvimento e empurra este País para a frente.
Desassistida pelo governo e sem uma política oficial definida, a agricultura dá saltos formidáveis, e só o Paraná brinda o País, nesta safra de verão de 2000/2001, com uma safra de grãos de 21,350 milhões de toneladas, equivalente a R$ 4,4 bilhões. Depois da geada do ano passado, no Paraná que gerou uma queda de 4,4 mil toneladas de grãos e chegou a desencorajar os agricultores e pecuaristas e por extensão a população em geral é estimulante a notícia estampada ontem neste jornal mostrando os números da atual safra paranaense de soja e milho. E se o clima continuar favorável para a safra de inverno, os índices subirão para um total de 23,580 milhões de toneladas, na temporada 2000/2001.
Contribuíram para este sucesso os investimentos em tecnologia que aumentaram a produtividade e o clima favorável, com sol e chuva bem distribuídos em todas as regiões, desde o plantio até a colheita. Há que louvar também a contribuição dos institutos de pesquisas e o trabalho devotado de seus técnicos, que, não obstante pertencerem a organizações oficiais, são movidos por um elevado senso de vocação e profissionalismo.
O Paraná de terras férteis que os burocratas do setor energético querem inundar com águas de represas produziu nesta safra de soja 2.970 quilos por hectare, com algumas áreas atingindo 3 mil quilos e superando os índices da produtividade média dos Estados Unidos, que era a mais elevada do mundo. E o milho atingiu a média de 5 mil quilos por hectare, com a região de Ponta Grossa chegando a 6.859 kg/ha e a de Cascavel e Toledo à média de 7 mil kg/ha, isto significando que houve áreas onde as lavouras chegaram a produzir 8 mil kg/ha, que é a mesma produtividade dos EUA. Uma outra cultura paranaense, o algodão, rendeu na presente safra 163 mil toneladas, 31% superior à do ano passado.
Se falta por parte do governo uma política consistente de preços, de silagem, de armazenamento, de transportes e de exportação, a agricultura do Paraná com suas técnicas de rotação de culturas, conservação do solo, plantio direto e seleção de sementes vem correspondendo plenamente em produção e produtividade.
Os números são muito expressivos e estimuladores, e se fossem seguidos de políticas governamentais inteligentes, que proporcionassem mais garantia na comercialização das safras, seriam afastados de vez os fantasmas das crises, sempre geradas pelos desmandos e negligências governamentais e que têm atormentado as mentes dos brasileiros. Se há o Brasil burocrata que atravanca o progresso, há o Brasil-cidadão que avança. E nessa marcha, com sua enorme produção agrícola e pecuária, o Paraná está na linha de vanguarda.





