A denominada megaoperação que agora se desencadeia, para combater os crimes ambientais na Amazônia, não passa de um paliativo, pois apenas 1.500 homens e poucos equipamentos estão engajados nessa campanha. O efetivo humano é composto de fiscais do Ibama, agentes da Polícia Federal e guardas-florestais, com o apoio de 140 veículos e apenas três aviões, três helicópteros e 60 embarcações. Muito pouco para policiar uma área que, em sua extensão total, tem o tamanho de meio Brasil e se encontra ameaçada pelos desmatamentos e pelas queimadas.
A preservação da Amazônia é uma questão de segurança nacional e, como tal, a operação que ora se realiza deveria ter um contingente infinitamente maior e ser comandada pelo Exército, que existe justamente para guardar o território contra predadores internos e externos, para preservar as faixas de fronteira, combater convulsões sociais que ameacem a ordem pública e outras missões que tratem da segurança nacional.
O Exército, pelas suas três Armas, é treinado para essas operações e dispõe de suficiência de homens e equipamentos para guardar a Amazônia inteira e ainda se ocupar de outras missões. A manutenção dessa estrutura de segurança é cara para os cofres da nação, não se justificando que algumas centenas de milhares de efetivos, com seus navios, barcos, aviões, helicópteros, veículos de terra e toda a estrutura móvel e instalada fiquem imobilizados numa situação como esta.
Pela ajuda da imagem dos satélites constatou-se que, só nos últimos tempos, houve um aumento de 15% na devastação da Amazônia, o que levou o governo a agir agora. Isto, porém, é muito pouco, já se anunciando que a campanha acabará em outubro, prevendo-se que a partir daí os desmatamentos e as queimadas continuarão.
O governo federal já demonstrou - como ocorre agora com a escassez de energia elétrica em quase todo o País e com a miséria e a fome que assolam o Nordeste - que só age quando os problemas chegam ao ponto de exaustão, e assim mesmo só com medidas de efeito temporário. Caso da ajuda com cestas básicas aos flagelados nordestinos e da operação paliativa de defesa da Amazônia.
Já tivemos prova do poder e da eficiência do Exército. Ocorreu durante o período da ditadura militar, quando toda a força armada brasileira mobilizou-se para enfrentar os inconformados com o regime. Nem antes nem depois dessa histórica operação as Forças Armadas foram acionadas, embora tantas vezes tenha sido necessário, caso específico da guarda das riquezas vegetais, animais e minerais da Amazônia.
Vê-se, agora mesmo, homens do Exército cuidando da campanha de distribuir água e alimentos na região das secas. Uma operação humanitária e emergencial - embora outra deveria ser a solução para o Nordeste - mas esta não é função das Forças Armadas. Enquanto guarda-matas ficam combatendo no meio da floresta pela defesa desse riquíssimo bem da pátria, tropas do Exército ficam desempenhando serviço de assistencialismo social. Necessário e urgente, porém tarefa para outra comunidade de atendentes. É em momentos como este que se exige a presença de uma decisão firme do presidente da República.

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