Enquanto o governo fica às voltas com administrar o resultado de suas negligências, como ocorre agora com o racionamento de energia elétrica, ao tempo em que faz a Nação conviver permanentemente com o trauma dos escândalos na administração pública e com os malabarismos governamentais para acobertá-los e impedir investigações, um Brasil paralelo caminha e cresce.
As informações – aparentemente negativas – de que muitas empresas resolveram diminuir ou suspender temporariamente projetos de investimentos, por conta da crise energética, é uma demonstração de que a iniciativa privada nunca estagnou e sempre caminhou à frente do governo, mesmo tendo de enfrentar a adversidade das políticas públicas.
Há um visível processo de crescimento, à revelia do governo e apesar dele, que se torna agora mais evidente ante o novo impedimento que se apresenta, e mais uma vez porque o poder público não entrou com a parte que lhe cabia. Pelas solicitações de novas ligações elétricas por parte de empresas – negadas e por isso tornadas públicas – vê-se que o Brasil avança, pela iniciativa dos investidores privados. Só mesmo o governo para frear esse ritmo. Agora é preciso respirar fundo e repensar caminhos.
O País está em ponto morto, porém ligado, pronto para engatar a marcha e tomar rumo novo. Os otimistas e esperançosos sabem que é em cima de dificuldades que são tomadas grandes decisões, porque assim tem sido na história da humanidade. Como Fênix, a ave mitológica símbolo da imortalidade, que se queimava para depois ressurgir das cinzas.
Agora que o estrago está feito, também o governo haverá de rever suas políticas e estabelecer diretrizes claras para o setor energético, junto com a exploração de fontes alternativas de energia. Uma medida, ao menos, o governo tomou, que foi a deliberação de bancar, através da Petrobras, a variação cambial do gás natural importado, destinado às usinas termelétricas. Como a nova regra tem validade para 15 anos, fica afastado o temor das empresas interessadas em investir nesse campo.
Estas são partes que tocam ao governo – e há muito ainda por fazer – mas cabe a cada empresa, a cada residência, a cada cidadão, buscar fórmulas de racionalizar o uso da energia elétrica, de maneira que não falte e que produza resultados ainda melhores. Aciona-se todo um processo educativo, com uma chamada de responsabilidade de governantes e povo e um despertamento da criatividade de estrategistas e inventores. A população, como um todo, aprenderá a dar valor à energia elétrica como um bem que até aqui passou despercebido. Assim como tantas coisas que só na escassez e na falta passamos a valorizar.

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