A seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) busca resguardar-se de que sua posição contra a venda da Copel, ontem anunciada, tenha conotação política. Quer referir-se, naturalmente, à política partidária, mas tal não é necessário, porque é evidente que uma entidade que congrega pessoas de opiniões e ideologias múltiplas, como a OAB, dificilmente obteria consenso num suposto apoio a determinado partido político.
Fica afastada, portanto, a figura de uma OAB partidária. Isto não invalida que uma decisão de apoio político-partidário possa eventualmente ocorrer, por parte da entidade, mas a opinião pública não está, no momento, cobrando nenhum zelo como o manifestado ontem pela OAB paranaense. Pode-se afirmar que a instituição está acima de suspeita.
De qualquer forma, uma tomada de posição em questão tão relevante como a intenção do governo estadual de privatizar a Copel, é uma decisão política. Porque, por política, entende-se sobretudo a prática da condução dos negócios públicos e o conjunto de princípios e medidas das instituições governamentais que tenham a ver com os interesses sociais.
Não é outra, portanto, a postura da OAB senão política, e a entidade não tem nada a esconder nem preocupar-se com suposições de que esteja assumindo um comprometimento. Porém, não deixa de ser importante, com forte peso de opinião, o voto da maioria de seus pares contra a venda pretendida pelo governo.
Se, pela palavra de seu presidente, a OAB anuncia que não vai engrossar o Fórum Popular Contra a Venda da Copel – que já conta com o apoio de mais de 200 entidades, da bancada oposicionista da Assembléia Legislativa, de alguns partidários do governo e da maioria da população paranaense – o certo é que o apoio da OAB-PR ao movimento está implícito.
Preocupou-se o presidente da entidade – e é natural que ele zele pela imagem de tão importante instituição – em afirmar que, em torno do ‘‘affaire’’ gravitam interesses políticos que ‘‘não podem contaminar a OAB’’. Esse risco obviamente não existe, porque o movimento tem apoio popular.
A manifestação política ora anunciada pela Ordem dos Advogados – que tantas vezes tem assumido posições de vanguarda em defesa de importantes causas públicas – é muito importante e está sendo saudada como bem-vinda, pela cruzada antiprivatização e pela opinião pública paranaense.

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