EDITORIAL
Diferente do que era comum acontecer, o que se constata é que não houve nenhuma manifestação pública em favor do ex-prefeito Antonio Belinati depois que ele foi preso. Isto comprova que, apoiando seu carisma tão propalado, vigorava um esquema de manipulação das massas, nas ocasiões em que o prefeito desejava mostrar que tinha apoio popular.
Faltando a cabeça do líder - ele próprio - para acionar seus comandos e mobilizar camadas disponíveis de seu eleitorado mais cativo, faz-se agora o silêncio. Não se assiste, diante do distrito policial onde Belinati está recluso, às cenas comuns dos ônibus fretados despejando multidões onde o então prefeito desejava a presença do povo, naturalmente para fazer-lhe louvações. Porque essas manifestações não eram espontâneas, porém manipuladas.
Se não se discute o poder de Belinati e as suas bem-sucedidas estratégias de conquistar simpatizantes e votos, sobretudo entre as camadas mais carentes, a verdade é que, mesmo os seus (então) eleitores mais ortodoxos estão desapontados, com um sentimento de grande frustração. Se ele era defendido pela população mais pobre, já não conta com esse apoio. Ao contrário, essas comunidades é que se sentem mais humilhadas e manifestam agora o seu repúdio. Simplesmente porque têm dignidade.
As classes menos favorecidas - e até por isto - são as que primeiro se revoltam contra os roubos praticados pelos governantes, porque se sentem como diretamente roubadas. Um político discursador pode seduzir facilmente as populações mais necessitadas, mas é justamente nesse meio onde mais se repudia a figura do político ladrão.
Os desmandos praticados pelo prefeito agora preso foi uma decepção para essas pessoas. Na verdade, provocou tristeza e frustração entre aqueles que o tinham como defensor. O povo simples e humilde sente-se traído e vê frustrarem-se esperanças que, se não seriam todas alcançadas, eram no mínimo esperanças, e este é ainda um dos poucos bens acalentados por um numeroso contingente de brasileiros.
Pesquisa qualitativa feita em Londrina no período da última eleição - quando o prefeito já estava afastado do cargo - mostrava o eleitorado belinatista com uma postura de vergonha, indefinido sobre o que dizer e fazer, parecendo brigar contra suas próprias convicções e receoso de defender o líder que o traíra. Porque carência não significa perda da dignidade e essas pessoas queriam um Belinati prefeito porém não um prefeito desonesto.
A par do sentimento de triunfo da honradez sobre a desonestidade e da lei sobre a impunidade - agora que Belinati está preso - paira entre os cidadãos simples, que formavam o contingente eleitoral do então prefeito, a sensação de vergonha e frustração, mas sobretudo de amargo aprendizado.





