O mais importante sinal que se poderia ter sobre a tranquilidade da situação da economia no País foi a tranquilidade com que ocorreu a substituição do presidente do Banco Central. Sai Gustavo Loyola, vai entrar Gustavo Franco e o mercado se mantém calmo, não há nem sequer boatos, as Bolsas não caem, tudo segue de forma muito calma. A saída de Loyola não foi precedida de nenhum boato, não havia pressões ou crises que pudessem pôr em polvorosa o sistema. Assim, o que se viu foi uma mudança sem traumas, talvez o maior atestado de que, apesar das dificuldades existentes, o projeto econômico continua firme.
Em outros tempos, não muito distantes, por muito menos as Bolsas teriam vindo abaixo, o capital externo debandado, os juros subido. A instabilidade também teria sérias consequências políticas. O episódio mostra como o clima na economia brasileira mudou, desde os tempos da hiperinflação. A estabilidade da moeda - ponto focal da política econômica do atual Governo - é maior do que a variabilidade das pessoas e as oscilações da conjuntura. E o sucessor é uma garantia de previsibilidade do câmbio, embora o déficit comercial seja incômodo e deva ser combatido mais do que com paliativos expressos em alíquotas e extremamente danosos para empresas que estão importando para se modernizarem.
A indicação de Gustavo Franco evidencia que todo o projeto vai continuar nos mesmos trilhos. Não só o câmbio, mas outras âncoras, como os juros, terão ajustes graduais, como aconteceu até agora. Se isto é discutível, bom ou mau, não importa. O mérito é a estabilidade e previsibilidade. A saída aparentemente fácil das desvalorizações cambiais continuará sendo o centro das discussões entre os economistas, mas o chão não vai tremer por causa disso. O próprio mercado percebe isto muito bem, como se pode ver pela reação à mudança de comando no BC. Pode-se trocar os Gustavos, mas não se alterou a essência e o foco do programa.
Mas, é saudável a pressão sobre o BC e toda a área econômica para que a questão do déficit comercial seja encarada de frente e com a firme disposição de mudar o que está errado. Se não se deve nem se pode mexer no câmbio para aumentar as vendas, então se deve trabalhar para reduzir os custos das exportações e assim torná-las competitivas por outra via. Os custos portuários no Brasil, por exemplo, são muito superiores aos dois países do Primeiro Mundo e estão entre os maiores do Terceiro Mundo. Os custos dos processos produtivos das nossas empresas ainda são muito altos e agravados por uma massa tributária acachapante, tanto no produto como na mão-de-obra.
Aí estão, catados a esmo, dois itens para o Governo pensar e nos quais pode agir sem precisar do Congresso. Pois, é bom lembrar, não é preciso pedir licença ao Congresso para reduzir impostos, taxas, tarifas, contribuições etc.
A troca dos Gustavos também poderia ser marcada pela busca da eficiência econômica e maior produtividade. Já se indica, como bom sinal, que um dos esforços maiores do novo titular do BC será diminuir o chamado Custo Brasil. Coisa que seu antecessor ficou devendo. Se conseguir, terá lugar garantido na História do Brasil.
Franco terá condições ideais para isso, a julgar pela ‘recepção’ dada ao seu nome. Não entra como um salvador da pátria, nem como alguém chamado às pressas para evitar o pior. É uma mudança como raramente se via e serve como resposta aos alarmistas, que sempre esperam uma crise atrás ou na frente de uma mudança. Sem crises, sem entrechoques políticos, sem acusações, denúncias, mas de forma tranquila, muda a direção do BC e o Brasil, quem diria, continua no seu rumo. É para lembrar, um dia, aos netos.

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