EDITORIAL
O dia 4 de maio de 2001 haveria de marcar um acontecimento melancólico na história do político Antonio Belinati: a sua prisão, por desmandos administrativos. Homem público de carreira sempre ascendente, desde que se elegeu vereador em Londrina, Belinati exerceu quatro diferentes funções eletivas e por três mandatos foi prefeito.
Em seu último período de administração, capitularia ante a mais abominável tentação que tange os homens públicos e ante o mais vergonhoso infortúnio, que são a corrupção, a sua descoberta e a consequente execração pública. Junto com Belinati foram presos também ex-auxiliares de seu governo, e três dezenas de outros são passíveis de prisão.
Não haveria de ser outro o desfecho, depois que o então prefeito recebeu três sucessivas punições de cassação do mandato, pela prática de irregularidades administrativas e desvios de dinheiro público.
Toda a trajetória desse processo é um melancólico episódio também para a história de Londrina, que foi até tempos recentes um forte reduto político e desfrutava de invejável representatividade nas altas esferas da vida pública estadual e nacional.
Louve-se o trabalho da sociedade organizada, da Promotoria Pública e da Justiça como um todo, nesta verdadeira batalha travada pela defesa da moralidade pública, desde que foram levantadas as primeiras denúncias.
Porque haverão de cair os homens públicos, se flagrados em delito, para que se salvem as instituições. Se deixa envergonhados a todos o fato de a cidade haver passado pelo processo de ter que cassar e prender o seu prefeito, os cidadãos se engrandecem pela vitória de assistir ao triunfo da Justiça.
O episódio não haverá de culminar, apenas, com a prisão dos culpados, porque a sociedade irá exigir, agora, a devolução dos valores subtraídos. Esta será uma nova fase de todo esse processo, e a campanha dos cidadãos londrinenses pela moralidade certamente irá fazer tal cobrança.
O momento exige a serenidade dos vencedores que são todos os cidadãos para que dele não tirem proveito facções político-partidárias e não prevaleçam sentimentos de vingança, nem se turvem as mentes e os corações.





