Os guardas de trânsito executam muito pouco a função de orientar o tráfego e disciplinar o comportamento dos motoristas, e passaram a ser punidores e agentes de arrecadação de multas. Se um código existe, ele deve ser cumprido pelos que transitam pelas ruas e estradas com seus veículos, mas o poder público e os policiadores do trânsito, ao que parece, não cumprem à risca os seus próprios deveres. Daí perguntar-se quem policia e pune as falhas do sistema e os agentes do tráfego urbano e rodoviário.
O problema é mais ou menos idêntico em todas as cidades paranaenses mais crescidas e onde é mais intenso o tráfego de veículos. Tomemos o exemplo de Londrina, o segundo maior núcleo urbano do Estado: os guardas nunca estão presentes nos pontos mais estratégicos e onde ocorrem conflitos de tráfego, nos horários de pico. Quando se aproximam as 18 horas o trânsito de veículos se intensifica, mas os guardas vão encerrando expediente e desaparecem.
Pois é justamente nessa hora que certos semáforos deveriam ser desligados e os guardas passarem a exercer o comando do tráfego, para dar escoamento mais veloz onde o trânsito é mais intenso, ao invés de os motoristas ficarem esperando inutilmente pela abertura do sinal, se na rua transversal, de menor movimento, todos os carros já passaram. A ação do guarda resultaria em ganho de tempo, em diminuição do stress de quem está no volante e em economia de combustível.
Mas nesse horário os guardas já foram embora, porque já gastaram o dia fazendo pouco ou quase nada de útil para a melhoria do sistema, porém muito atentos para multar quem está sem cinto de segurança, usando telefone celular ou com o braço para fora, embora nunca multem os carros com escapamentos superestridentes ou com seus equipamentos de som em volume altíssimo. Sob esse aspecto, há um total liberalismo, sobretudo à noite e nas madrugadas dos fins de semana.
Mesmo durante o dia, nos horários normais, ouve-se pouco o apito dos guardas, orientando o tráfego, mas vê-se muito eles manipulando a caderneta de anotação de multas. Se assim agem, não há dúvida de que recebem essa orientação de seus superiores, que de sua vez devem seguir a sanha arrecadadora estatal.
Em Londrina criou-se uma guarda municipal de trânsito que não guarda trânsito algum, mas é muito ágil em punir os cidadãos, que usam seus veículos para trabalhar e exercer a vida. Como tal, eles deveriam ser deixados em paz e não serem molestados por esses policiadores que ficam a postos, não para ajudar na solução dos problemas de tráfego, mas para aplicar sanções.
Os condutores de veículos têm obrigação de dirigir dentro das normas, mas idênticas normas devem ser seguidas pelo próprio poder público. Porque as cidades não têm sinalização adequada e suficiente, semáforos às vezes estão com defeitos ou desligados, e estas são negligências dos órgãos encarregados do setor. Inexiste critério para implantação de semáforos, a maioria funciona fora de sincronia, com medidas de tempo desproporcionais a certos pontos e a certas horas, sistemas antigos ainda são mantidos, muitos procedimentos são incorretos, como a questão das mãos e contramãos, locais e sistemas de estacionamente e outros itens.
As questões do tráfego urbano reclamam muito mais estratégia e boa vontade do que dinheiro. Ao invés de agentes de trânsito com tanta gana de multar, melhor se eles - e os técnicos do setor - se transformassem em agentes de soluções.

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