Muito natural que a preservação do meio ambiente seja o fator de limitação para implantação de usinas hidrelétricas. E não apenas estas mas também as termelétricas e as nucleares e outros modelos de geradoras que venham causar danos ambientais e ponham em risco a vida da população.
Em palestra que proferiu sexta-feira, em Curitiba, um diretor do Operador Nacional do Sistema Elétrico disse que há uma ‘‘indústria de embargos’’, instalada pelos ecologistas e governantes municipais, que atrasa a construção de mais usinas. O diretor desse órgão oficial falou num seminário que se denuncia pelo nome: ‘‘Oportunidades e negócios em hidrelétricas’’.
Então, a ‘‘indústria de embargos’’ passa a ser de fato um entrave se o objetivo dos investidores em usinas hidrelétricas for apenas um negócio, visto simplesmente pela ótica de que é uma oportunidade para aplicação de capitais e aferição de lucros. Segundo as declarações desse técnico operacional, os investidores ficam temerosos quando o assunto é a instalação de hidrelétricas, porque ‘‘normalmente as obras são atrasadas por entraves jurídicos’’.
Naturalmente que o desejo desses potenciais investidores seria um total liberalismo, que assim poderiam ser implantadas usinas elétricas, termelétricas e nucleares sem nenhum critério. Como de fato aconteceu com as usinas nucleares de Angra dos Reis, instaladas – ao tempo da ditadura militar – no centro de um paraíso turístico e a pouca distância de uma megacidade, o Rio de Janeiro. Além do constante risco que oferecem, essas geradoras até hoje não produziram resultados satisfatórios e ainda constituem um mistério.
Mas ainda agora, como naqueles anos, predomina uma certa insensatez dos governos na sanha de implantar usinas energéticas. Necessárias que sejam, porque sem elas o Brasil estancará em seu crescimento industrial, elas podem representar um retrocesso se implantadas sem critério e apenas como um lucrativo negócio.
Uma nação pode sobreviver sem avanços tecnológicos mas não subsistirá ante a escassez de terras agricultáveis se as represas das hidrelétricas forem, cada vez mais, inundando áreas produtivas; não subsistirá se o ar tornar-se irrespirável pela presença de gases poluentes emanados das termelétricas; e sucumbirá em caso de um desastre nuclear, de que tivemos um exemplo com o desastre de Chernobyl.
A implantação de usinas geradoras de energia têm de ser discutidas não apenas como uma oportunidade de negócio mas como uma questão estratégica, que atenda às necessidades atuais e futuras de luz-e-força mas também ao ecossistema e, muito mais que isto, à espéciessistema, que tem a ver com a sobrevivência dos seres humanos e de todas as formas de vida do Planeta.
Experimentos já existentes apontam para a energia solar e a energia dos ventos como alternativas. Se existe a ‘‘indústria de embargos’’ para os megaempreendimentos energéticos convencionais é porque eles não estão se revelando seguros, nem tão convenientes para o futuro da humanidade. Mas se existem os embargos, existem também os acenos para outros caminhos, eis que a tecnologia ainda não deu sua última palavra.
O temor da escassez de energia, que já ocorre num país como os Estados Unidos e pode acontecer no Brasil, é uma questão preocupante, mas um risco muito maior é a desordenada implantação de usinas apenas porque constituem um bom investimento empresarial, ante a perspectiva de escassez energética, embora possam significar uma ameaça à sobrevivência do homem sobre a face da Terra.

mockup