As árvores retiram dióxido de carbono da atmosfera e liberam oxigênio, que o homem necessita para sobreviver. Não fosse a existência das árvores para retenção das águas e transformação do dióxido, que é abundante na natureza, a raça humana e as espécies animais se extinguiriam. Então, a preservação ambiental não é um capricho dos ambientalistas nem uma disputa ideológica dessa comunidade com os predadores, a maioria agropecuaristas. Que, sob o pretexto de abastecer de proteína animal o mundo faminto, retira-lhe um sustentáculo de sua própria sobrevivência, que é o ar que respira.
Alimentar o mundo é um maravilhoso projeto humanitário, mas não há nenhuma sinceridade nesse argumento dos que retiram as árvores, ateiam fogo em tudo - com isto também poluindo o ar, intensificando o efeito estufa e destruindo a fauna silvestre - para colocar no lugar as boiadas. Está aí caracterizado o puro enriquecimento ilícito, porque nada pode ser mais ilegal e criminoso do que o cometimento desse inominável dano ambiental.
Ontem este jornal divulgou informação que causou grande estarrecimento: o Paraná é o campeão em desmatamento dos remanescentes florestais. Não pela história do passado, quando os colonizadores derrubaram a mata virgem em quase metade do Estado, para plantar café, mas pelo que acontece hoje. A insensatez do homem continua devastando a mata nos 8% de cobertura florestal que nos resta.
Os dados agora divulgados - da Fundação SOS Mata Atlântica - revelam que nos últimos cinco anos foram desmatados no Paraná 60.000 hectares de florestas naturais preservadas. Esse desflorestamento é consequência de projetos de assentamento de sem-terra e ampliação das áreas extrativas, por parte de agropecuaristas.
O estarrecedor é que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) tem grande culpa nisso, pois no dizer de um líder sem-terra o contrato do INCRA praticamente obriga os assentados a desmatarem, sob pena de perderem o direito de posse do lote. Naturalmente que seria menos trabalhoso para o sem-terra e mais vantajoso para ele e para o meio ambiente se esses lotes se situassem em terras já desmatadas e destocadas.
Pelo menos 10 municípios da região sul do Paraná foram os grandes prejudicados pela predação de remanescentes florestais, de 1995 para cá, mas pelo que afirma o diretor da Fundação Mata Atlântica a própria população e as autoridades dessas comunas desconhecem suas próprias reservas florestais, por isso nem sabem como protegê-las.
Vê-se que, de um lado, está a ação predadora e de outro a desinformação, e, com toda certeza, a insuficiência de meios para conter esses desmatamentos. Há necessidade urgente de que entrem em ação as autoridades municipais, as Promotorias Públicas, as entidades ambientais e no geral a própria sociedade, para conter essa marcha devastadora, porque se trata da preservação da vida do próprio ser humano.

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