Denúncias, investigações, CPIs e a eclosão de escândalos criam uma situação de desencanto entre os cidadãos e provocam turbulência na vida nacional, mas são os caminhos que levam ao afloramento da verdade e à depuração das instituições. São as trilhas que precisam ser percorridas. E se os políticos mentem em seus depoimentos e deixam de merecer a confiança dos eleitores e da sociedade como um todo, devem ser execrados e punidos.
Os movimentos pela implantação da moralidade pública não podem se restringir à esfera comunitária, mas ganhar dimensão estadual e nacional. A sociedade já não pode aceitar pacificamente que se converta em norma a desfaçatez e a mentira dos parlamentares e governantes que elege. É um vício arraigado na cultura brasileira admitir que os políticos, por não serem merecedores de confiança, sejam esquecidos pelo povo depois de eleitos e fiquem impunes ante sua inoperância e seus desmandos.
Por não serem cobrados, os parlamentares e ocupantes de cargos executivos, assim como seus auxiliares, habituaram-se a não dar satisfações ao povo, e por isso sentem-se libertos e sem o compromisso de prestar contas. Eles nem estão fisicamente tão distantes, porque encontráveis em seus redutos e em lugares públicos de suas bases eleitorais, só que ninguém os questiona nem os molesta. Parece que ganharam imunidade até diante do povo.
Se um parlamentar fica omisso, ausenta-se nos momentos de votação, não assume compromisso com o seu voto e frustra as expectativas populares, os cidadãos devem cobrá-lo por isto. Todos conhecem os portais pelos quais eles saem e retornam, e devem mantê-los sob constante pressão, porque esta é a ferramenta de que o eleitorado dispõe e, se a tem, deve usá-la.
Os políticos agem e reagem sob pressão, porque esta é uma linguagem que eles conhecem. É sob pressão e contrapressão que atuam junto aos seus blocos e nas relações com o poder, então os cidadãos devem valer-se desse mesmo instrumento. Os políticos temem, sim, o povo, mas o povo é que ainda não se conscientizou da força que tem e não sabe impor a sua autoridade.
Agravam-se, no momento, os episódios da violação do painel eletrônico do Senado e das denúncias de corrupção nos negócios da Sudam, e neles estão envolvidos três importantes personalidades da República: os senadores Jader Barbalho, presidente do Congresso Nacional, Antonio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda. Em face disto, o destino desses políticos não deve ser outro senão a renúncia dos cargos ou a cassação de seus mandatos.
Só o delito da mentira que já cometeram, em depoimentos públicos, e os escândalos em que estão envolvidos, são suficientes para serem varridos da vida pública. Ou se começa a varredura ou a depuração irá demorando mais para acontecer. A nação já fez grandes avanços, desde que teve o desassombro de cassar um presidente da República e outros caciques da política, aparentemente intocáveis, de prender destacadas figuras da vida pública e afastar prefeitos de importantes cidades, mas essa marcha não pode perder o ritmo. A pressão do povo sobre os parlamentares e sobre os próprios organismos de investigação e julgamento devem ser constantes.

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