Se falta dinheiro às prefeituras para solucionar o problema da reciclagem do lixo, falta, sobretudo, a vontade dos administradores públicos de debruçar-se sobre a questão e buscar saídas mais inteligentes do que simplesmente depositar esses resíduos a céu aberto. O certo é que o poder público se importa pouco com esse delicado problema, porque – assim como a canalização e o tratamento do esgoto – dar tratamento ao lixo não é uma obra visível e por isso não rende dividendos imediatos para a imagem do governante.
Nessa cadeia que envolve o processo do lixo falta educação política dos administradores públicos, falta consciência das empresas ao utilizar embalagens de difícil reciclagem e degradação, falta educação ambiental de parte dos cidadãos no trato com os resíduos que produzem. Alguns dos sólidos levam até 400 anos para se decompor totalmente, e alguns até mil anos.
Um contra-senso que haja tanta permissividade para que as indústrias produzam – e a clientela utilize – embalagens que causem dano ambiental. Talvez nem seja do conhecimento de certas empresas que as embalagens de seus produtos sejam tão nocivas, então a fiscalização, se realmente quer agir, tem a vantagem de atuar num campo mais restrito, que é o do processamento das embalagens.
No caso dos municípios, com raras exceções, o trato que as prefeituras dão aos resíduos urbanos é apenas a coleta e o recurso simples de depositá-los em monturos. Já existe uma tímida conscientização, por parte da comunidade, de ir separando em casa o lixo orgânico do sólido, para possibilitar que a coleta seja diferenciada e esses detritos sejam separados, em seu depósito final.
Mas mesmo assim esse esforço comunitário resulta em quase nada, porque, em sua fase final, tudo acaba nos depósitos a céu aberto. Essa prática facilita a tarefa dos catadores mas mantém o problema, que é o não-beneficiamento dos resíduos e a continuidade da poluição ambiental.
O poder público não assume a parte que lhe cabe, que é dar uma destinação civilizada para o lixo. Números da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais mostram que, no Brasil, um grande volume do lixo (80%) não recebe cuidado e é depositado a céu aberto. É dessa entidade, ainda, a informação de que já existem cidades da Europa que se uniram em consórcio para intensificar a reciclagem dos resíduos urbanos e outros tratamentos, e que em breve terão eliminado totalmente os aterros.
A verdade é que os países mais adiantados estão dando muita atenção à questão dos rejeitos domésticos e industriais, através de práticas mais racionais, como a produção de menos lixo e o reaproveitamento de tudo, sem necessidade de que esse item da vida moderna constitua um problema ambiental.
O Brasil, que ainda considera o tratamento do lixo como algo futurista – embora atribua tanta importância às novas tecnologias da informática e das telecomunicações, por exemplo – precisa seguir também os avanços dos países mais adiantados na questão do lixo, se quer impor-se como nação civilizada.

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