O ridículo das medidas absurdas e às vezes extravagantes, cometidas no meio oficial, contribuem para desacreditar os comandantes dos órgãos públicos junto à população. Ainda mais se essas medidas surgem isoladas, quando o momento reclama providências mais relevantes. O mais novo absurdo é a determinação da Secretaria de Segurança Pública do Paraná obrigando os delegados, investigadores e escrivães a usarem terno e gravata, e as mulheres, saia e blazer. A lei, que é de 1982 mas nunca havia sido regulamentada, agora entra em vigor e dá 60 dias de prazo para os policiais mudarem seu visual.
Não é necessário dizer que os protestos foram gerais, tão logo a decisão foi anunciada, porque é o próprio policial quem tem que comprar a nova vestimenta, e isto, com o parco salário que ganha. Os defensores da idéia - burocratas de gabinete - argumentam que o custo das novas roupas e o das usadas hoje é o mesmo, o que pode ser verdade porque há vestimentas esportivas de igual preço ou mais caras que as tradicionais clássicas.
Mas a questão não é esta e sim o desprezo por medidas mais urgentes. Ainda agora os policiais militares estão em luta reivindicatória por melhores ganhos, e vimos as mulheres desses profissionais comparecendo à Assembléia Legislativa para reforçar, junto aos deputados, as reivindicações dos maridos. Pois são elas e os filhos que sentem mais diretamente as dificuldades de sobrevivência, com o chefe da família ganhando tão pouco.
Natural que não só os policiais, como todos os atendentes de repartições públicas, devem vestir-se da melhor forma possível, mas a qualidade do policial não será definida por terno e gravata e por saia e blazer, mas pelo seu desempenho. E é esse desempenho que não vai bem, por uma série de fatores, um deles o baixo soldo dos policiais, e outro a sua formação.
É com essas coisas que deveriam estar preocupados aqueles que colocam em vigor a nova lei, que é fora de propósito para a função desses profissionais e para a realidade paranaense. Ademais, porque essas vestimentas são inadequadas para os policiais de campo, até porque calorentas em tempo de verão. Poderão servir para certa temporada do ano nas cidades do sul, mas não nas regiões quentes.
Ao ver decisões como esta, os cidadãos começam a acreditar que as autoridades que tratam das questões da segurança pública, no Paraná, estão alheias ao que, realmente, se exige de um agente policial.
Medidas disciplinares são necessárias e devem ser rigorosas, porque do contrário o organismo policial não funciona e se desintegra. Mas o que se fizer pela melhoria da polícia haverá de passar, primeiro, pela seleção de pessoal, pelo esquema de treinamento, pela melhora do equipamento e pelo pagamento de salários dignos aos agentes. Isto se faz com dinheiro - que é escasso na atual conjuntura governamental do Paraná - mas se faz também com políticas inteligentes.

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