Não se compreende o argumento do secretário da Casa Civil, Alceni Guerra, de que a Copel tem que ser vendida agora porque, mais tarde, valerá menos do que vale hoje. Ora, importa pouco saber o quanto vale aquilo que não é para ser vendido. Se a Copel é um empresa organizada e lucrativa e cumpre a sua função de gerar e distribuir energia elétrica, o quanto valerá no futuro é irrelevante. Seu valor repousará sempre no serviço que presta, pouco contando o montante de seu patrimônio e sua cotação no mercado.
O argumento do secretário - com o qual o governo faz coro - não tem consistência e anula-se por si mesmo, eis que não é o valor da Copel que se discute, mas a desnecessidade de vendê-la. Ademais, falta a este governo a credencial para realizar um negócio dessa envergadura, por não haver conseguido sanear as finanças públicas, mas ao contrário, agravando-as, ao aumentar os encargos do Estado.
Essa transação não atende a interesses da população, mas visa cobrir furos de caixa. Sabe-se que o Estado deve, oficialmente, R$ 7,5 bilhões, embora se tema que seja muito mais. Se a Copel for vendida por R$ 5 bilhões, que é a expectativa oficial, 70% terão que ser destinados, por lei, ao Fundo de Previdência do Estado. Restarão 30%, mas o governo também precisa resgatar as ações da Copel que o Banco Itaú retém como caução, por conta de títulos ‘‘podres’’ adquiridos. É uma incongruência vender uma empresa sólida, com excelente saúde econômico-financeira e bem administrada, para socorrer uma instituição descapitalizada - a Paraná Previdência.
A gigantesca dívida pública será apenas atenuada e ficará como legado aos futuros governos e ao povo do Paraná. E, por pouco que seja o lucro que o governo aufere pela sua participação acionária na Copel, a venda da empresa fará cessar também essa receita. Que no ano passado foi de R$ 140 milhões. Para um governo que estabeleceu o turno único nas repartições públicas para economizar R$ 30 milhões/ano, os R$ 140 milhões não são nada desprezíveis.
O governo estadual está endividado, mas vê-se que a venda da Copel não solucionará esse problema. O Paraná-cidadão se sustenta mas a situação delicada do governo - que as oposições declaram estar quebrado - acabará afetando todos os paranaenses. Conter a venda da Copel é uma necessidade e um dever, e, na continuidade, devem os parlamentares da situação e da oposição abandonar discursos de mero oportunismo político e debruçar-se sobre algo que é muito mais grave: a dívida, e como pagá-la.

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