EDITORIAL
Se somos agraciados por uma supersafra de grãos, como ocorre agora, não aprendemos ainda a adotar estratégias inteligentes para o escoamento de tamanha produção, a partir das lavouras. No caso dos três grandes centros produtores, que são Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a fila de caminhões embicada no Porto de Paranaguá chega a extensões de até 120 quilômetros, como está acontecendo neste momento.
No Brasil, ironicamente, parece que sabemos lidar bem com a escassez mas nos embaraçamos em administrar a abundância, como ocorre este ano com a superprodução de grãos. Falta-nos a infra-estrutura necessária, tanto nas rodovias como nos portos não obstante a capacidade instalada do terminal de Paranaguá mas falta acima de tudo a adoção de sistemas, e isto só depende de vontade e competência.
Já temos a experiência dos anos passados, mas o fenômeno das filas de caminhões graneleiros, na chegada aos portos, se repete, com grandes ou médias safras. Desnecessário falar dos prejuízos, sobretudo para os transportadores, que ficam às vezes até três dias na fila, andando e parando, ligando e desligando motores, até cobrir, nesse ritmo, distâncias de mais de 100 quilômetros. Imagine-se o que isto representa em stress para os motoristas, em desgaste das máquinas e queima adicional de combustível.
Verdade que falta infra-estrutura de armazéns e silos nas lavouras o que transforma o caminhão em depósito ambulante mas será necessário ir segurando a produção no interior e escalonando os embarques, para que os veículos sigam um fluxo normal e empreendam com agilidade a ida e o retorno e assim retomarem nova viagem, em sincronia com a capacidade portuária de recepção e carregamento nos navios. A fórmula ideal é a implantação de portos secos em pontos estratégicos, servindo de entrepostos de armazenagem e de redespacho ordenado para o porto.
Uma das estratégias que já teve início ontem é liberar da fila os caminhões que se destinam a armazéns particulares. Os caminhoneiros protestam contra essa medida, porque não identificam os que se destinam diretamente ao cais de embarque e os dos armazéns privados. Mas é um contra-senso caminhões carregados tomando lugar na fila se os terminais a que se destinam estão ociosos. As cooperativas já estão dispostas a ir escalonando os despachos. E às autoridades ligadas ao setor cabe, além de interagir nas estradas, verificar se eventuais entraves burocráticos estejam ocorrendo e se o porto está operando com a máxima agilidade.
E, se Paranaguá é o maior terminal graneleiro do País, há que se pensar no aumento de sua capacidade operacional. Se o Brasil se expande à revelia dos governos e a supersafra de grãos é uma demonstração disto a burocracia tem que se mobilizar para acompanhar esse ritmo.





