EDITORIAL
Produzir com qualidade, mediante certificação, promover uma eficiente campanha de marketing e saber negociar. Estes são os caminhos para ampliar a venda da carne bovina no exterior. A comunidade dos pecuaristas e os pesquisadores estão cada vez mais conscientes disto, e um passo que acaba de ser dado nesse sentido é a criação do Instituto Genesis, que ocorreu agora em Londrina, durante a Exposição Agropecuária e Industrial.
Trata-se de uma entidade privada, sem fins lucrativos, que visa criar o conceito de qualidade dos produtos brasileiros de origem animal e vegetal, começando pela carne bovina. Mas não apenas isto: o projeto é agregar valores ao produto nacional, com maior benefício ao agropecuarista, e, na extensão, associar medidas de preservação ambiental, com a contenção definitiva do desmatamento para formação de pastagens.
Detentor de um rebanho de mais de 160 milhões de cabeças de gado - que comem capim e não proteínas animais, portanto isentas de encefalopatias - o Brasil tem o mais qualificado rebanho e grande potencial para abastecer os mercados mundiais de carne, mas a qualidade deste produto brasileiro é pouco conhecida no exterior. Há que desbravar esse campo.
Congregando agropecuaristas, organismos de pesquisas e equipes rastreadoras, o Instituto visa o acompanhamento de cada animal, a começar do nascimento e monitorando toda a sua trajetória de alimentação, tratos de saúde, abate, processamento de cortes, higiene, resfriamento, conservação, até a embalagem da carne pronta para a exportação. Através de código inscrito no selo de garantia o consumidor final poderá acessar a homepage do Instituto e conhecer a origem e todo o trajeto percorrido pela carne que está consumindo.
Atualmente, apenas 20 quilos de um boi brasileiro, com média de 35 arrobas, vão para o mercado externo, notadamente o europeu. São apenas as partes nobres, mas as perspectivas do Instituto que ora se instala são que o Brasil comercialize tudo, atendendo às indústrias de calçados, de cosméticos, de ração para animais domésticos, afora outros processos que utilizam produtos bovinos em sua formulação.
Estes são passos de um novo Brasil que desponta, capitaneado por empreendedores com visão mais avançada e por uma legião de técnicos e pesquisadores idealistas, não só da iniciativa privada mas também da comunidade oficial.





