EDITORIAL
A implantação do pedágio nas rodovias federais do Paraná, ao invés de contribuir com algum benefício, só trouxe prejuízo para os usuários, e agora novas vítimas começam a se manifestar. São as empresas de serviços às margens das estradas, que tiveram queda violenta no movimento, com a consequente dispensa de empregados e até o encerramento de atividades. A razão é que os motoristas passaram a economizar, sobretudo nos restaurantes, lanchonetes e mesmo nos serviços dos postos, porque precisam guardar dinheiro para as praças de pedágio que têm pela frente.
Só para citar um exemplo, um dos maiores estabelecimentos do gênero, no Paraná, que ia muito bem antes da criação do pedágio, teve que parar, porque já não aguentava o prejuízo provocado pela diminuição brusca do movimento. Trata-se do Posto Grande Parada, à margem da rodovia entre Rolândia e Arapongas, que funcionava com todos os serviços de atendimento, inclusive praça de alimentação.
A queda do movimento começou a ocorrer tão logo foi implantada a praça do pedágio nas proximidades. A atividade cessou, empregados foram despedidos, a clientela acabou privada do serviço e o imóvel está abandonado. Mas este não é um caso isolado. É o mais flagrante, a testemunhar que o advento do pedágio não prejudicou apenas os usuários das rodovias mas também esse segmento empresarial.
Em face disto, um novo movimento se esboça, pedindo a total eliminação do sistema de pedágio. São lideranças do Norte do Paraná que pretendem organizar-se numa associação reunindo os proprietários de empresas de serviços às margens das rodovias. Um dos líderes do movimento, que está percorrendo a região em busca de adesões, destaca que a meta não é a redução de tarifas, mas a total eliminação do pedágio.
É dessas lideranças a informação de que a queda do movimento financeiro foi de 40% desde que o pedágio foi implantado. Os caminhoneiros, sobretudo, passaram a trocar a refeição completa por um lanche. Isto significando o ingresso desses profissionais num regime de subalimentação, com todos os riscos daí decorrentes ao longo das estradas. A subnutrição aumenta o grau de stress e de nervosismo, justamente de alguém que não pode vacilar no comando do volante.
Já se sabe que o prejuízo não é apenas este. Começa pelo dos usuários dessas rodovias, que passaram a arcar com um novo ônus, isto refletindo sobre o custo das cargas transportadas e dos serviços em geral, proporcionados pelos que utilizam as estradas para o exercício de suas atividades. As transportadoras viram seus custos aumentarem e os motoristas autônomos passaram a entregar às concessionárias do pedágio o lucro que tinham.
Estas são realidades que o governo do Paraná não quer ver, ou finge não ver, mas é certo que, de qualquer forma, não está mostrando nenhuma sensibilidade diante da gravidade da questão. Não foram intempéries, nem eventuais necessidades extremas, nem circunstâncias outras que levaram a essa situação, mas sim um ato do próprio governo, pois foi ele o idealizador e implantador do sistema de pedágio que aí está. Se o governo não desfizer o que fez de errado e reverter a situação, a população espoliada e indignada o fará.





