EDITORIAL
Quem um dia cruzou pelo portal do Muro de Berlim imagina o que seja um homem simples da roça ter que identificar-se toda vez que quer entrar em sua propriedade. Isto acontece aqui no Paraná, na comunidade de Barro Preto, em São Miguel do Iguaçu.
Moradores que habitam o lugar há 40 anos são barrados e têm que provar quem são, toda vez que saem e retornam às suas casas. Isto porque o antigo acesso - com quatro décadas de uso - foi bloqueado com a abertura de uma valeta, pela concessionária do pedágio, e um novo caminho foi aberto mas encompridando o trecho em dois quilômetros e obrigando os colonos a passarem pela triagem dos vigias.
Parentes e fornecedores da população dessa comunidade têm que estar cadastrados na concessionária. Ali, o direito de ir e vir foi substituído pela lei da dona do pedágio. Nada diferente do que era o bloqueio no muro fatídico. Um morador chegou a munir-se de uma retroescavadeira agrícola, para fechar a valeta, mas gente da própria comunidade demoveu-o da idéia, pois a polícia ronda o lugar e pode ser acionada pelos vigias.
A verdade é que todos os moradores do lugar são contra o fechamento do velho acesso, mas parece que, no Paraná, contrariar a vontade popular está se convertendo em regra.
Enquanto isto, no portal do pedágio em Arapongas, há três dias um engano dobrou a tarifa para as vans escolares, e até que o impasse fosse desfeito houve muita discussão, com o envolvimento de pelo menos 300 estudantes.
São transtornos que o pedágio vem causando aos cidadãos, há dois anos e meio, sem nenhum benefício equivalente à sangria a que são submetidos. O governo, implantador do sistema, parece haver-se colocado ao lado das concessionárias, pois não as fiscaliza na intensidade que devia, para um negócio de tamanha envergadura. O próprio cronograma de obras não está sendo seguido à risca e o governo não demonstra estar muito empenhado em fazer a cobrança do que estabelecem os contratos. Parece que o governo perdeu o controle sobre muitas salvaguardas que lhe competem.





