EDITORIAL
Não é cômoda a situação de um Estado que, só num único item, tem uma dívida diária de R$ 1,1 milhão e levará 30 anos para pagá-la. Este é um dos débitos do Paraná, cuja conta a pagar deixada pelo Banestado - recentemente privatizado - é hoje de R$ 4,175 bilhões e atingirá R$ 12 bilhões daqui a três décadas, duas vezes mais o montante atual. Os próximos sete governos ficarão coobrigados com essa dívida, e um paranaense que nasça hoje herdará até o ano 2030 a parte que lhe cabe nesse compromisso.
Falido que se encontrava e envolto em corrupção na sua corretora Leasing Banestado, o banco teve que recorrer ao governo federal para sanear sua situação e poder ser vendido, o que ocorreu em outubro do ano passado. A dívida, inicialmente de R$ 5,8 bilhões, origina-se desse empréstimo. A venda do banco resultou em apenas R$ 1,6 bilhão, dinheiro que o Paraná nem viu, pois foi direto para o Banco Central para amortização do débito.
Com a operação, naturalmente o Estado também ficou com o mico de receber débitos de empresas e cidadãos junto ao Banestado, cuja lista dos 17 principais devedores chega a R$ 140 milhões. É de 15 mil o total de devedores, e alguns são antigos e receberam empréstimos mesmo sem condições de honrar esses compromissos. Na maioria, apadrinhados do falecido deputado Aníbal Khury, que durante 40 anos mandou e desmandou no Paraná.
Fosse a busca do empréstimo junto ao Banco Central um investimento que resultasse em benefícios imediatos ou futuros para a população, se justificaria tamanho sacrifício repassado a esta geração e à próxima, mas o gigantesco débito assumido foi para tapar buracos do banco estatal, afinal vendido por 1/4 do que devia.
Desnecessário dizer o quanto pesará nos próximos 30 orçamentos do Estado essa conta, que não é a única, pois o governo do Paraná está afundado em dívidas, a ponto de levá-lo ao desespero de colocar à venda a sua mais rendosa empresa estatal, a Companhia Paranaense de Energia (Copel).
Obviamente que os recursos para pagar, todos os dias 30 de cada mês, R$ 33 milhões, sairão dos cofres públicos, ou seja, dinheiro dos contribuintes. Que fará falta para as necessidades sociais do Estado. Ademais porque não é apenas este o legado de contas a pagar que o governo irá deixar aos próximos governantes e, por extensão, aos paranaenses, porque é muito grande a dívida do Estado. Os desmandos que o Estado-oficial comete, o Estado-cidadão paga.





