Mais importante do que colocar os corruptos na cadeia será fazer com que devolvam o dinheiro público que roubaram. Este deve ser o centro das atenções da Justiça e da sociedade organizada. Está certo o Movimento pela Moralização da Administração Pública de Londrina em iniciar, agora, uma nova investida solicitando mais rapidez no andamento dos processos e a prisão dos culpados, mas o que interessa à população e à prefeitura endividada é, antes de tudo, recuperar os valores desviados. E não apenas por isto, mas porque há que se aplicar a justiça em toda a plenitude. Corruptos presos, mas conservando o dinheiro que roubaram, não será justiça completa.
Muito mais que prender culpados - sem prejuízo das demais penalidades - importa reaver o dinheiro objeto dos processos, não só em Londrina, mas nos demais municípios onde desmandos governamentais estão sendo investigados. Não há que prevalecer o espírito da pura punição representado pela cadeia, como a caracterizar uma vingança da sociedade e apenas satisfazer anseios de ver os corruptos por trás das grades. Como se diz na linguagem policial, há que recuperar o produto do roubo, porque os ladrões do dinheiro público não diferem em nada dos larápios comuns. E porque a sociedade precisa desse dinheiro, que afinal lhe pertence e tem destinação social.
Ladrões presos, mas com dinheiro alheio depositado em paraísos fiscais, como é comum acontecer no caso dos grandes larápios, não será uma condenação mas um benefício para eles. A elasticidade das leis permite favores como a liberdade condicional e a prisão domiciliar, então os movimentos pela moralização da administração pública devem fazer carga na exigência da devolução das apropriações indevidas.
O movimento moralizador de Londrina cumpriu seu papel e atingiu sua meta, que foi o afastamento do prefeito, o indiciamento dele e de outros 100 acusados em processo judicial, a decretação da indisponibilidade dos bens de muitos deles e, de resto, motivando outras comunidades a fazerem o mesmo. Mas não há de considerar-se satisfatória, apenas, a devolução de ‘‘parte dos recursos desviados’’, conforme espera o Movimento pela Moralização, e sim a devolução de tudo, com juros, correção monetária e a contabilização dos benefícios cessantes pela retenção do dinheiro. Porque esse dinheiro, com toda certeza, em algum lugar está, em moeda ou em patrimônio.

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