Se não deve ser qualificado como uma agressão à classe dos educadores, o tapa desferido pelo procurador-geral do Estado do Paraná contra um professor, também não pode ser considerado um fato isolado. Porque a atitude do procurador evoca a dureza com que governantes tratam o povo. A própria afirmação do governo de que considera o caso encerrado já é uma demonstração disso, pois só quem é agredido pode encerrar o caso, não quem agride.
Ao longo de nossa história recente, outros fatos soam como bofetada, como o uso de dinheiro do povo na compra de títulos podres ou uma gigantesca dívida pública que se arrastará pelos futuros governos, sacrificando a população pelo corte de bens e serviços.
De resto, tapas os governantes desferem a todo momento contra a população, em forma de atitudes ditatoriais, corrupção e desmandos de toda ordem. São tapas que doem, mas os governos vão dando os casos por encerrados.
Esses episódios doem porque um povo não pode pensar-se democrático apenas porque tem o direito de votar e ser votado e porque a imprensa é livre e os cidadãos podem protestar.
Democracia também exige dureza na apuração de responsabilidades. Como também deve assegurar o livre acesso de todos ao capital e o direito ao trabalho, com remuneração condigna; caso contrário, um regime dito democrático estará incompleto, convivendo com a retração econômica e o desemprego, com todas as mazelas daí decorrentes.
Se haurimos as liberdades políticas, sabemos que nossa democracia necessita de muito aperfeiçoamento, porque ainda vivemos sob o garrote de leis antigas e anacrônicas e com os governantes pouco se tocando com os clamores do povo, distribuindo tapas à vontade.

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