Envergonha os londrinenses saberem que 98 idosos que serão retirados de oito asilos particulares - interditados pela Vigilância Sanitária - não têm para aonde ir. Os quatro asilos filantrópicos da cidade já abrigam 214 pessoas e estão com a capacidade esgotada, e a prefeitura informa que não tem como resolver o problema. A alegação é que falta dinheiro para ampliar os abrigos existentes e construir novos.
É muito triste para uma cidade tão rica, com boa infra-estrutura em tantos setores, defrontar-se com o impasse de não ter onde abrigar essa centena de idosos carentes. Sabe-se da dificuldade financeira em que se encontra a Prefeitura de Londrina, mas não se entende como a própria Secretaria Municipal do Idoso e os serviços públicos de assistência não encontram uma saída para tal situação.
Com dinheiro é fácil fazer coisas, mas é em situações de escassez que se revela a competência dos que exercem função pública. Já se passaram vários dias desde que se decretou a interdição. Portanto, as equipes encarregadas das questões sociais já deveriam ter se mobilizado para encontrar fórmulas de alojar esses velhinhos.
Este é apenas um dos problemas - e a oficialidade nem deveria vir a público dizer que não sabe como resolvê-lo - mas vamos a outro: o da realidade de milhares de outros locais igualmente miseráveis, que são as favelas e os assentamentos, em Londrina, onde também vivem seres humanos. Desde crianças a adultos e idosos. Então, seria ingenuidade imaginar que esses asilos particulares, que pertencem a pessoas também pobres, não apresentem problemas sanitários e afins. Onde o meio é miserável, todas as formas de miserabilidade se manifestam.
Existem casos de exploração e até de apropriação de dinheiro dos idosos, nesses locais interditados, e de sua vez a Vigilância Sanitária cumpre o papel que lhe cabe. Porém, o problema não se restringe à miséria desses locais que abrigam pessoas idosas e lhes cobram pensão, mas se estende a uma imensa população que vive em condições de extrema carência.
O terceiro problema - e este o de mais difícil solução - é que muitas famílias consideram os seus idosos um problema e não os querem em casa, então os abandonam ou os enviam para os asilos. Esses locais, mantidos pelo poder público ou pela contribuição dos próprios familiares e benemerentes, transformam-se no novo lar para esses maiores desamparados, e ali, no mais dos casos, eles encontram carinho e convivem bem com os de sua idade.
Problemas de desamparo aos velhos existem em todos os países, sobretudo nos mais desenvolvidos, porque se os sistemas sociais lhes dão todas as garantias, como moradia, renda suficiente e atendimento médico, faltam-lhes a presença e o carinho dos filhos. Que simplesmente não querem viver com eles e os isolam. Os povos latinos são ainda os que melhor cuidam de seus pais e avós.
Descaso e negligência dos governantes, grandes bolsões de miséria abarcando crianças, adolescentes, pessoas de meia-idade e anciãos, e sobretudo muito desamor dos filhos para com os pais que chegam à velhice. Esta a triste herança que os jovens e fortes têm legado aos seus velhos.

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