EDITORIAL
Foi criado no Brasil um fundo destinado à área da saúde, que ganhou o nome de Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CMPF), mas se o dinheiro arrecadado foi todo destinado a esse fim, não se sabe. O que ocorre é que doenças tidas como extintas, ou sob controle, voltaram, e também o serviço direto aos doentes atendidos pela Saúde Pública não melhorou.
Os problemas da saúde espalham-se pelo Brasil inteiro, mas dados divulgados ontem por este jornal, sob a incidência da dengue no Paraná, são preocupantes. Os números mostram que 260 dos 399 municípios paranaenses estão infectados pelo mosquito transmissor da doença, e a própria Secretaria da Saúde admite que a incidência pode ser ainda maior.
A Divisão de Doenças Transmitidas por Vetores, da secretaria, não tem explicação para a disseminação do mosquito, mas refere-se à falta de conscientização da população para impedir o aumento do foco desses insetos. De fato, as campanhas de alerta e orientação parecem não ter surtido o efeito desejado.
É nos depósitos de águas paradas e limpas - vasilhames, pneus velhos e as próprias bacias dos vasos de flores, mesmo os que estão dentro de casa - que os mosquitos põem seus ovos e onde as larvas encontram ambiente propício para se desenvolverem. A população tem que se conscientizar disso e contribuir com a sua parte. E ao governo cabe intensificar a batalha contra essas doenças reemergentes.
A secretaria da Saúde diz que está tomando as providências necessárias para o combate à proliferação da doença (contra a qual não há vacina), mas é certo que essas medidas não são suficientes, pois em 1999 foram registrados 305 casos da dengue, no Paraná, e no ano passado subiram para 1.825, portanto um alarmante aumento de quase 600%. Basta fazer o cálculo.
Em São Paulo, a prefeita Marta Suplicy afirma que houve diminuição da verba ministerial para a profilaxia de doenças, e atribui a esse fato o aumento da incidência da dengue. O Ministério da Saúde contesta. Porém os números são incontestáveis e contra eles não há argumentos.
Espera-se que os governantes não negligenciem com coisa tão séria quanto a saúde pública e que não esperem que os males se implantem para só então levá-los a sério. É consenso que o custo social da cura das doenças é muito mais alto que o das medidas preventivas para evitá-las. No Brasil não se faz bem nenhuma das duas coisas.





