Parece que há apenas uma corrente favorável à venda da Companhia Paranaense de Energia (Copel): a sediada no Palácio Iguaçu. Porque até agora não se ouviu nenhuma manifestação de segmentos representativos da sociedade civil e dos cidadãos no geral que seja a favor deste propósito do governo. Também a opinião dos leitores, manifestada nos jornais, revela-se frontalmente contra.
Então, se o povo paranaense não quer desfazer-se de um patrimônio que, afinal, lhe pertence, deveria o governador Jaime Lerner recuar de seu propósito e ceder ao que querem os cidadãos. Está se relevando afrontosa esta insistente posição do chefe do governo contra a vontade popular. Já não se trata de discutir pontos de vista, porque não há divisão na sociedade sobre essa questão, mas sim uma declarada posição contrária à venda da empresa.
Neste momento - faltando 7 meses para o anunciado leilão da Copel - a sociedade civil inicia uma campanha antiprivatização, que prevê a coleta de asssinaturas da população, manifestações políticas e medidas judiciais. Estão à frente deste movimento a seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil, o Sindicato dos Engenheiros do Paraná, a representação estadual do Conselho Federal de Economia, o Conselho dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos do Paraná, sindicatos de servidores públicos, quase metade dos deputados estaduais (a cujo colegiado, na Assembléia Legislativa, incumbe revogar a lei que autoriza o governo a privatizar a empresa) e o diretório regional do PMDB, que pretende mobilizar todos os diretórios municipais e reunir 1 milhão de assinaturas de cidadãos paranaenses contrários à privatização.
Deputados estaduais da corrente antiprivatização, assim como deputados federais da bancada paranaense e vereadores da Capital, defendem a realização de um plebiscito, para que, dessa forma, o governo saiba oficialmente de que lado está a população. E já apostam que a decisão popular será esmagadoramente contra a venda da Copel.
Pelas manifestações que vêm ocorrendo, não pairam dúvidas sobre o veredicto popular, que o governo já sabe qual é. Isto deveria bastar-lhe, se é que a opinião pública realmente lhe interessa. A não ser que, pelo contrário, o propósito seja desafiá-la. Um governante sensato não cometeria a imprudência de contrariar tão afrontosamente uma posição popular que, pelo que tudo demonstra, é unânime. Tudo o que o governo fizer contra a vontade do povo será tirania.

mockup