Saem estilhaços por todos os lados na marcha das investigações sobre o escandaloso esquema de corrupção na Prefeitura de Maringá. A troca de acusações continua pesada e até integrantes do Tribunal de Contas do Estado (TCE) foram citados, pela declaração do ex-prefeito Jairo Gianoto. Ele afirma que a indicação do ex-secretário da Fazenda Luis Antônio Paolicchi - agente principal de todo o processo - partiu de dois integrantes do TCE.
Uma informação oficial já existe: o tamanho do rombo - ocorrido de 1997 a outubro do ano passado (quando Gianoto pediu afastamento do cargo) é de R$ 54 milhões, embora haja estimativas de que pode chegar a R$ 100 milhões. E outro fato novo é o parecer do Tribunal de Contas, anexado à auditoria, imputando a Gianoto a responsabilidade por haver negligenciado no acompanhamento, proteção e resguardo do patrimônio público contra danos e dilapidações. Dessa forma, o TCE responsabiliza o ex-prefeito pelos desvios.
Jairo Gianoto vinha tentando desviar-se do foco central das acusações, afirmando que o responsável era Paolicchi - na verdade o ‘‘cérebro’’ da manipulação das contas fraudulentas - e, por sua vez, o ex-secretário devolve a Gianoto a paternidade de todo o esquema. O que se sabe é que Paolicchi, seu sucessor Jorge Sossai e os servidores Waldemir Ronaldo Corrêa e Rosimeire Castelhano Barbosa tinham a liberdade para assinar cheques e emitir pagamentos em nome da prefeitura, aparentemente sem qualquer controle superior.
A auditoria do TCE comprovou que o esquema usava o nome de empresas públicas estaduais como a Copel, o Banestado e a Emater. Só para a Copel foram registrados pagamentos fictícios que totalizaram R$ 19,8 milhões. Ao todo são 29 empresas públicas e privadas que tiveram seus nomes relacionados, envolvendo R$ 46,8 milhões, que corrigidos sobem para os R$ 54 milhões anunciados.
O processo em Maringá está caminhando veloz e grandes passos já foram dados, o principal deles a prisão do secretário Luis Paolicchi, que está recolhido há três meses no 4º Batalhão da Polícia Militar, naquela cidade. A apreensão de máquinas agrícolas de Gianoto foi outra providência, embora o valor que representam é quase nada em relação à gigantesca soma desviada. Constituem outros avanços a apuração do montante do roubo - ao menos até aqui - e a anexação do parecer do Tribunal de Contas, que responsabiliza diretamente o ex-prefeito.

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